Brasília - Depois de 32 anos de vida pública, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), anunciou que não irá mais disputar cargos públicos. Desanimado com as denúncias que abalam os poderes Legislativo e Executivo, Freire decidiu participar das eleições deste ano apenas como coadjuvante. Vai tentar ajudar Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial. Em 27 anos como parlamentar - foram cinco mandatos consecutivos - Freire disse que não tem mais motivações para disputar uma eleição.
“Essa última legislação foi muito constrangedora. Eu não estou mais com disposição de disputar uma campanha. Vou atuar (na campanha de Alckmin) para não permitir que se tenha no País o ‘mensalão’ dois”, desabafou.
O deputado tentou ser candidato a presidente, mas o PPS resistiu por causa da verticalização. Segundo Freire, a seqüência de uma série é sempre pior do que o original. “O Brasil não pode ver a repetição do filme o ‘Exterminador do Futuro’ no ano que vem”, disse.
O deputado também aponta uma “deficiência grave na formação do Congresso” como motivação para o seu desânimo. “Muitos se elegeram para fazer negócios pessoais, escusos. Isso ficou comprovado em vários aspectos”, considerou. “Meu desânimo não é com a política. É um certo constrangimento com alguns representantes”, disse.