Nacional

BNDES pode liberar verba para Varig

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, afirmou ontem que o banco pode liberar recursos para investimentos na Varig, mas descartou financiar a compra da companhia aérea para os trabalhadores da empresa.

O Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que arrematou a empresa no leilão realizado em 8 de junho, tem até sexta-feira para efetuar um aporte de US$ 75 milhões na Varig. Representantes dos trabalhadores estiveram ontem reunidos com técnicos do BNDES para discutir a liberação de recursos. Segundo Fiocca, nenhum pedido formal foi feito ao banco até o momento. Ele afirmou que qualquer aprovação de financiamento depende de viabilidade financeira da proposta, como fiança bancária, conhecimento dos investidores interessados nos recursos e perspectivas de fluxo de caixa.

O presidente do BNDES lembrou que o financiamento de parte do valor de compra das antigas subsidiárias da Varig, a VEM (manutenção) e a VarigLog (logística), no ano passado, contou com a facilidade de ter a empresa aérea portuguesa TAP como fiadora. “Naquela época o banco teve uma fiança de uma empresa excelente, que era a TAP, que era como o Tesouro de Portugal”, disse.

Ele afirmou ainda que o tempo para análise de um pedido dos trabalhadores depende da qualidade das informações prestadas. No dia 8 de junho, em leilão realizado no Rio de Janeiro, os trabalhadores ofereceram R$ 1,010 bilhão pela aquisição das rotas domésticas e internacionais da empresa, que inclui pagamento de R$ 225 milhões em créditos a receber da própria Varig, R$ 285 milhões em dinheiro e de R$ 500 milhões em debêntures (títulos de dívida privada).

Na noite de anteontem, após vários adiamentos, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8.ª Vara Empresarial do Rio, responsável pela recuperação judicial da Varig, decidiu aceitar a proposta feita pelo TGV para comprar a companhia aérea.

Vôos

Com mais de 15 aviões retirados de operação ontem, a Varig aumentou o ritmo de cancelamentos de vôos e, até as 18h de ontem, não havia realizado 118 dos 300 trechos domésticos e internacionais que estavam programados para o dia todo, segundo dados da Infraero (estatal que administra os principais aeroportos do País).

Boa parte da frota da companhia, formada por aviões alugados de empresas de leasing, está parada por falta de manutenção ou por determinação judicial - alguns arrendadores já ganharam na Justiça americana o direito de retomada de suas aeronaves. Muitos dos aviões que estão fora de operação são de longo curso, usados para vôos internacionais.

No aeroporto de Guarulhos (SP), pelo menos 20 vôos internacionais, boa parte do previsto para ontem, foram cancelados: seis chegadas (de origens como Madri, Nova York e Miami) e 14 partidas (Los Angeles, Milão e Buenos Aires, entre outros destinos) não ocorreram. Já no aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, o número de cancelamentos, entre chegadas e partidas de vôos domésticos e internacional, chegava a 27.

Saídas domésticas foram canceladas (São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Vitória e Foz do Iguaçu) e duas internacionais (Caracas e Buenos Aires). Foram também suspensas sete chegadas de vôos domésticos e cinco de vôos internacionais (Milão, Aruba, Londres, Buenos Aires e Montevidéu).

Nos aeroportos domésticos não foi diferente. Em Congonhas, São Paulo, dez partidas de 14 previstas e dez chegadas de 15 previstas foram canceladas até as 12h de ontem, de acordo com dados da Infraero. Onze vôos da ponte aérea no Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro, foram suspensos.

Apesar dos incômodos, muitos passageiros da Varig defendiam a companhia. “É uma empresa antiga, que tem de ser preservada. Acredito que haverá uma solução para o problema, e o governo precisa ajudar”, disse a arquiteta Neli Rapp, 46 anos, que embarcou anteontem pela manhã no Santos Dumont para São Paulo num vôo da Varig. Mesmo com mais cancelamentos, não houve tumultos nos aeroportos, já que era baixa a procura pelos vôos. “Eu insisto em voar na Varig. Se a gente não consumir (em bilhetes), a companhia vai fechar e a disputa que leva as empresas a baixar os preços da passagem não acontece”, disse o administrador de empresas Paulo Costa, 33 anos.

O cancelamento de chegadas no aeroporto de Guarulhos, no entanto, chegou a atrapalhar a feira de turismo de negócios Lacime, que acontece no Transamérica Expocenter, em São Paulo.

Cerca de 40 investidores estrangeiros que deveriam chegar ontem para a feira, que vai até a próxima quinta-feira, não conseguiram chegar ao Brasil por causa dos cancelamentos de vôos da Varig.

Outras companhias aéreas, como TAM e Gol, vêm aceitando endossar bilhetes da Varig, quando há lugares disponíveis. O Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) voltou a destacar ontem que os passageiros que possuem bilhetes e milhas da Varig devem ter seus direitos assegurados e informou que se reúne hoje com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para discutir o tema. De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa da entidade, o Procon continua “acompanhando atentamente a situação”.

Comentários

Comentários