Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou ontem a defender a política de recomposição das reservas internacionais do País como fator que reduz a volatilidade externa. “O BC tem aproveitado, sim, os momentos favoráveis do mercado internacional para fortalecer as reservas”, disse ele em audiência pública no Congresso Nacional.
No ano passado, foram comprados US$ 21,6 bilhões para as reservas, as quais chegaram em dezembro de 2005 a US$ 53,8 bilhões - no final de 2004, elas estavam em US$ 27,5 bilhões. As reservas estavam em US$ 62,751 bilhões em 16 de junho, dado mais recente disponível.
Meirelles ressaltou ainda que as compras de dólares são feitas com o cuidado de não adicionar volatilidade ao mercado de câmbio e lembrou que essa política, aliada ao crescimento das exportações brasileiras e ao pagamento de parcela da dívida, melhoram os indicadores externos do País.
Como exemplo, ele citou a relação entre dívida externa e Produto Interno Bruto (PIB), que passou de 35,9% em 2002 para 12,8% em 2005. O presidente do BC apresentou aos parlamentares presentes os resultados das políticas monetária, de crédito e cambial. Ele destacou que é positivo que a inflação em 2005 tenha sido menor para os trabalhadores de renda mais baixa - no ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 5,1%, ante 5,7% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Os dois indicadores são medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - o primeiro registra a inflação para quem tem renda entre um e oito salários mínimos, enquanto o segundo pesquisa a variação de preços para as pessoas que ganham entre um e 40 salários mínimos.
Meirelles também comemorou o fato de que desde 2005 as expectativas do mercado para inflação no ano seguinte estão dentro da meta, o que não ocorria desde 1999, quando foi instalado o regime de metas de inflação. No ano passado, a meta era de 4,5%, com tolerância de 2,5 pontos percentuais, e neste ano é igualmente de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais.