Internacional

Ajuda dos EUA não diminui produção de coca colombiana

Folhapress
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Bogotá - Um componente-chave da guerra contra as drogas financiada pelos EUA parece estar falhando. Apesar do recorde de apreensão de droga e da maior campanha de erradicação de coca, realizada no ano passado, a produção da matéria-prima da cocaína cresceu 8% na Colômbia no ano passado, divulgou ontem o Escritório da ONU para Drogas e Crime (UNODC).

Por outro lado, houve uma redução na Bolívia e no Peru, países que têm recebido bem menos volume de ajuda dos EUA do que a Colômbia. Na Bolívia, que teve um 2005 marcado pela instabilidade política, a produção de coca caiu 8%, segundo a UNODC. No Peru, a redução foi de 4%. Os números da ONU divergem bastantes dos dados americanos, baseados sobretudo em imagens de satélite.

Pelos cálculos dos EUA, as plantações de coca cresceram 38% no Peru e 10% na Bolívia no ano passado. No caso da Colômbia, a metodologia americana apontava um aumento de 26% com relação a 2004.

Mesmo com as divergências, os dois relatórios evidenciam que a principal estratégia financiada pelos EUA - a fumigação aérea de plantações de coca na Colômbia - não tem conseguido chegar perto da meta de cortar pela metade a produção da planta nos EUA.

Os números devem atrapalhar os esforços do presidente colombiano, Alvaro Uribe, principal aliado de Washington na América Latina, de conseguir mais apoio para o Plano Colômbia, que, desde 2000, já transferiu cerca de US$ 4 bilhões de financiamento americano a esse país andino.

O diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, disse ontem que, para que os esforços antidrogas sejam bem-sucedidos, os EUA e a Europa devem diminuir a demanda por cocaína e apoiar programas de cultivo alternativos na América do Sul.

“Nossos esforços de auxílio precisam ser aumentados ao menos dez vezes para chegar a todos os fazendeiros empobrecidos, que necessitam de nosso apoio”, afirmou. Ao todo, a produção de coca na região andina cresceu 1% e chegou a 1.596 quilômetros quadrados.

Na Colômbia, principal produtora mundial e responsável por 90% da cocaína que chega aos EUA, o maior aumento ocorreu nas fronteiras com a Venezuela e o Equador. Na Bolívia, a redução foi no Chapare, berço político do presidente Evo Morales, ex-dirigente cocaleiro.

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