Criou-se uma tal situação de que hoje se fala no Brasil de apartação social. O que significa isto? O termo apartação vem de apartheid. Esta palavra surgiu na África do Sul. Lá, domina o regime dos brancos, que dominam a imensa maioria dos negros. Trata-se do apartheid racial. No Brasil temos o apartheid social. Significa que imensas maiorias da população são consideradas como sobrantes. A sociedade brasileira está, assim, dividida em duas partes. Uma consome, que participa do mercado, e a outra que sobra, que é excluída, começa a se defender contra a outra que ela enxerga como sua inimiga. Basta observar o fenômeno dos shopping centers. Eles são protegidos. Os indigentes lá não entram. Há os guardas que os mantêm distantes. Observamos os condomínios fechados. Na Idade Média os senhores se refugiavam nos castelos construídos no alto dos montes, protegidos pelas muralhas e pelos guardas. No que diferem aos condomínios fechados?
A saída para a situação de exclusão social que o Brasil vive é, mais do que nunca, que se faça uma clara opção por estas maiorias. Temos que fazer uma revolução nas prioridades. Isto significa que é imprescindível que a sociedade brasileira no seu conjunto passe a organizar a questão econômica do Brasil, visando em primeiro lugar, o atendimento das necessidades básicas da população brasileira mais marginalizada. As necessidades básicas todos sabemos quais são (até os políticos sabem, pois em campanha eleitoral eles sempre fazem a apologia da miséria do povo): alimentação, moradia limpa e digna, saúde, transporte público, educação e a tão sonhada, segurança pública...
Para construir neste debate sobre saídas viáveis para salvar o Brasil do desastre social, ao qual foi conduzido nos últimos 30 anos, a Igreja, há uns anos atrás, abriu campanha da “Fraternidade” - o tema dos excluídos. Ela também já promoveu uma importante iniciativa, chamada 2.ª Semana Social Brasileira, para encontrar e apontar pistas e saídas viáveis para construir um Brasil economicamente justo, socialmente equânime e politicamente democrático; caso mais recente o “fome zero”. Que não fiquem apenas no papel essas campanhas!... Pelo visto, infelizmente já ficaram!... Porque quanto mais se fala e escreve, mais miseráveis e excluídos aparecem...
Essa é a verdadeira realidade do nosso querido e amado Brasil!
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa