Enquanto brasileiros organizam uma verdadeira festa para acompanhar o jogo da Seleção contra o Japão, última partida da fase classificatória, a comunidade japonesa de Bauru prefere a calma e vai se reunir em família para acompanhar a partida. Apesar dos estilos completamente diferentes, tanto brasileiros quanto grande parte dos bauruenses descendentes de japoneses têm uma certeza: vão torcer para a seleção canarinho.
Em plena sede do Clube Cultural Nipo Brasileiro de Bauru, apenas Luís Felipe Itikawa Imaizumi, 11 anos, admitiu que vai torcer para a Seleção Japonesa. “Vai ser difícil, mas o Japão vai ganhar”, garante. Mas a maioria vai mesmo torcer pelo Brasil, apesar de alguns não esconderem a simpatia pelo time nipônico. “Se o Japão não passar, vai ser triste”, confessa Takao Adachi Sakai, 15 anos.
“No futebol, a gente sabe que o Brasil é melhor. O Japão tem muito o que evoluir tecnicamente, apesar do esforço do Zico (técnico da seleção nipônica). Se fosse no beisebol, seria bem diferente”, conta Hiroshi Tsumura, um dos diretores do clube. Enquanto isso, Edson Nakasato, técnico do time de tênis de mesa, aposta na boa atuação da seleção brasileira. “Nesse jogo, o Brasil vai deslanchar”, acredita. Indo na contramão, Fabiana Alvares, que apesar de não ser descendente, é uma das alunas mais falantes do curso de língua japonesa, ainda está indecisa. “Meu coração está dividido. Vou torcer para o Brasil, mas quero que o Japão tenha mais uma chance na Copa”, diz.
O clube não vai oferecer telões para os associados, que afirmaram à reportagem preferir assistir à partida em casa. Mas para quem não dispensa uma festa, dezenas de bares, restaurantes e associações de Bauru continuam com decoração e telões à espera de centenas de torcedores para quem quiser acompanhar a partida com os amigos.
Tranças
Além da camiseta, boné e até lentes de contato com a bandeira nacional, maquiagens especais nos dias do jogos, o bauruense também pode aderir a um novo penteado para a Copa. Feitas com miçangas ou fitas de cetim, trancinhas verde-amarelas já viraram moda na cidade. De acordo com a cabeleireira Damaris Any da Silva, que possui um salão no Núcleo Geisel, a procura pelo novo visual é grande. E o que mais chama atenção é a clientela. “Quem mais está procurando são os homens. Eles preferem as (tranças) com miçangas”, aponta.
A cabeleireira explica que as tranças podem ser feitas em todos os tipos de cabelo. “As crianças também gostam muito. E a procura aumentou por causa da Copa”, conta a cabeleireira. De acordo com Silva, os preços variam a partir de R$ 10,00, dependendo do modelo desejado.