Miami - Com outra grande atuação do ala-armador Dwayne Wade, que fez 36 pontos, o Miami Heat venceu o Dallas Mavericks, na noite de anteontem, por 95 a 92, e conquistou o inédito título da NBA.
O Miami começou as finais sofrendo duas derrotas, mas conseguiu uma incrível recuperação vencendo as quatro partidas seguintes, e fechou a série melhor de sete em 4 a 2. Assim, a equipe do técnico Pat Riley se tornou a terceira na história da NBA a reverter uma desvantagem de 0 a 2 na série final.
Os únicos que haviam conseguido até aqui tinham sido o Boston Celtics, em 1966, e o Portland Trail Blazers, em 1977. Após atuações memoráveis, Wade foi eleito o melhor jogador das finais (MVP).
O gigante Shaquille O’Neal, que neste jogo contribuiu com nove pontos e 12 rebotes, chegou ao seu quarto título - os outros três tinham sido pelo Los Angeles Lakers. Veteranos consagrados como Alonzo Mourning, Gary Payton e Antoine Walker levantaram a taça pela primeira vez.
Consagração
Nascido e criado em Chicago, Dyane Wade conta que, em 1996, assistiu Michael Jordan liderar a equipe da cidade a mais um título da NBA. “Ao terminar a partida, saí para o quintal para treinar e fazer o mesmo que ele.” Dez anos depois, o armador foi o protagonista da primeira conquista do Miami.
Anteontem, o time da Flórida conseguiu a quarta vitória sobre o Dallas com outra brilhante atuação de Wade. Em sua terceira temporada na NBA, Wade, 24, marcou 208 pontos em seus seis primeiros jogos nas finais da liga. A marca só é inferior à de Rick Barry, membro do Hall da Fama, que acumulou 245 pontos em 1966.
Com o troféu de MVP (jogador mais valioso), Wade demonstrou desconforto com as comparações com o ídolo de sua infância e adolescência. “A comparação me honra, mas ao mesmo tempo nunca vai haver outro Jordan”, afirmou o armador, que foi incensado por todos os lados.
“Nunca tive um jogador como ele”, afirmou o técnico do Miami, Pat Riley, que alcançou seu quinto título da liga e dirigiu Magic Johnson nos anos 80. “Nunca tive alguém que pudesse vencer cinco rivais e ao mesmo tempo construir jogadas para os companheiros.” O pivô Shaquille O’Neal, que já havia sido campeão três vezes, disse que Wade foi fundamental para sua transferência para o time da Flórida. “Ele é um grande jogador, muito, muito humilde, mantém todo mundo envolvido e essa foi a razão pela qual vim para Miami”, contou O’Neal, que teve atritos com Kobe Bryant nos Los Angeles Lakers.
E os elogios não se limitam ao Miami. “Algumas coisas, você não ensina”, afirmou Avery Johnson, técnico do Dallas. “Quando um jogador está fazendo certas jogadas, é porque é um jogador de verdade. Tentamos muitas coisas diferentes, mas ele o desejo da vitória.”
Wade disse não querer ser apontado como grande estrela da equipe. “Não quero que digam que levo o time nas costas. Fizemos isso como um time”, disse Wade, quinta escolha do draft de 2003 e que ajudou vários veteranos a colocar o título na NBA no currículo. Gary Payton disputou 15 temporadas e três finais antes de festejar o título, e Alonzo Mourning está na 13ª.