Bagdá - Um grupo ligado à rede terrorista Al-Qaeda no Iraque ameaçou ontem matar quatro reféns russos depois que o governo russo não atendeu às exigências de retirar as tropas da Chechênia e libertar prisioneiros muçulmanos, segundo um comunicado divulgado na Internet.
O Conselho de Shura dos Muhajidin - que engloba cinco grupos insurgentes, entre eles, a Al-Qaeda no Iraque - afirmou que irá continuar com as ações rebeldes, mesmo após a morte do jordaniano Abu Musab al Zarqawi, que liderava a Al-Qaeda no Iraque, em um bombardeio em 7 de junho. Na segunda-feira, o grupo afirmou que mantinha em cativeiro os quatro russos e deu 48 horas para que Moscou atendesse às exigências.
Os reféns - funcionários da Embaixada russa - foram seqüestrados por homens armados em Bagdá no último dia 3. Um quinto funcionário da Embaixada foi morto a tiros. A Al-Qaeda no Iraque já matou um grande número de reféns estrangeiros no Iraque - alguns deles decapitados.
Advogado é morto
Um dos principais advogados da equipe que defende Saddam Hussein foi assassinado ontem depois de ter sido seqüestrado em sua casa por homens vestidos com uniformes de policiais. É o terceiro advogado da defesa do ex-ditador a ser morto desde que seu julgamento teve início, em outubro do ano passado.
O assassinato de Khamis al Obaidi, um árabe sunita, reacende questionamentos de que a violência sectária, em parte impulsionada por milícias xiitas que operam dentro da polícia contra a minoria sunita que dominava o país durante a era de Saddam, possa impedir um julgamento justo.
O corpo de Obaidi, que representava também Barzan Ibrahim, meio-irmão do ex-ditador, foi encontrado em uma rua próxima à área xiita de Sadr City, de acordo com a polícia. Segundo a mulher de Obaidi, cerca de 20 homens armados chegaram à casa onde o casal vivia às 7h da manhã e disseram ao advogado: “Somos da segurança interna e precisamos interrogá-lo”. O corpo foi achado duas horas depois. A polícia disse que ele recebeu oito tiros e apresentava sinais de tortura. Os dois braços foram quebrados.
Greve de fome
Em protesto, Saddam e os outros sete réus iniciaram uma greve de fome por tempo indeterminado, de acordo com o líder da equipe de defesa, Khalil al Dulaimi. Eles estão sendo julgados pelo massacre de mais de 140 moradores do vilarejo xiita de Dujail em 1982. “(Os réus) vão continuar a greve até que a equipe de defesa receba proteção internacional”, disse Dulaimi.
O advogado-chefe pediu a suspensão do processo e que os réus sejam levados ao exterior por medida de segurança.