Rural

Estiagem prejudica produtores rurais

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O longo período de estiagem prejudica não somente a saúde de crianças e adultos, como também empresários do setor de agronegócios. O outono deste ano, considerado o mais seco desde 2000 em Bauru, está gerando prejuízos principalmente para pecuaristas, produtores de milho safrinha e de verduras (nos casos de quem não possui sistema de irrigação). E a previsão para o inverno - que começou anteontem - é de pouca chuva.

O pecuarista Ernesto Guimarães Neto, de Avaré, precisará desembolsar mais de R$ 100 mil acima do previsto para o período de estiagem. Normalmente, as 1.500 cabeças de gado que ele tem em sua propriedade ficam confinadas durante quatro meses (de julho a outubro) para serem alimentadas com uma ração especial enquanto a pastagem está seca.

“Dessa vez, com essa estiagem que não acaba, já coloquei o gado em confinamento neste mês. Isso vai me custar um mês a mais de gastos para tratar dos 1.500 animais (da propriedade). O custo diário do confinamento é de R$ 2,50 por cabeça. Então, é só fazer as contas para calcular o prejuízo”, lamenta Guimarães Neto.

A situação do pecuarista só não ficará ainda mais difícil porque ele havia feito um estoque maior de silagem de capim neste ano. Segundo ele, o pecuarista que não trata (confina) o gado, inevitavelmente terá que lidar com a perda de peso dos animais.

No caso de quem trabalha com gado de corte, como ele, isso acarreta dificuldades na hora de fazer as negociações de venda, já que o gado magro tem mais rejeição no mercado. Por outro lado, o momento é bom para a compra de garrotes, porque a crise pela qual vem passando o setor da agropecuária derrubou o preço da arroba do boi para R$ 49,00. “É o preço mais baixo dos últimos 15 anos”, aponta Guimarães Neto.

O pecuarista avalia como muito grave a situação porque, além do período prolongado de estiagem na região, o inverno é uma estação caracterizada pela baixa ocorrência de chuvas. Segundo ele, as nascentes dos rios e os açudes estão secando.

“As condições da pastagem estão muito ruins. Para melhorar vai precisar de chuva em abundância, e não essa chuvinha que tivemos em alguns poucos dias do outono. Aqui na minha propriedade, o último dia que choveu foi 22 de maio, e mesmo assim foram só sete milímetros”, observa.

Situação grave

Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e da Comissão Nacional do Café (CNC), aponta que a situação dos produtores de milho safrinha - responsável por 35% da produção anual de milho - também é crítica.

Segundo ele, cerca de 1,8 mil produtores das regiões de Bauru, Marília, Ipaussu e Santa Cruz do Rio Pardo estão contabilizando prejuízos decorrentes do longo período de estiagem.

“Como a seca se antecipou neste ano e já começou em maio, cerca de 90% da produção de milho safrinha está perdida. Quando não chove nesse período, entre abril e maio, a situação fica muito grave porque a seca do outono emenda com o inverno, período em que quase não se tem chuva”, destaca.

Lima Verde diz que nem mesmo as culturas que estão se beneficiando do período de seca estão totalmente livres de problemas. É o caso do café, da laranja e da cana-de-açúcar, que estão no período de colheita. “Mas com tanto tempo de estiagem, até essas culturas podem começar a sofrer.”

No caso da horticultura, só estão livres de prejuízos os produtores que utilizam sistema de irrigação. A afirmação é de Sigheru Sato, que tem em sua propriedade uma produção diária de verduras em torno de 40 mil a 50 mil unidades.

“A seca está tão severa que só estão dando conta do recado os sistemas (de irrigação) que tiram água de rio. Poço e represa não são suficientes para garantir a irrigação de verduras em uma propriedade com esse clima”, adverte.

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Inverno seco

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), desde o início do outono, 20 de março, até anteontem, foram registrados 40,7 milímetros de chuva acumulada em Bauru. Em 2000, no outono mais seco que a cidade já teve, os radares do instituto captaram 28,9 milímetros.

No outono do ano passado choveu mais que o triplo do que foi registrado no mesmo período deste ano. O IPMet registrou 152,7 milímetros acumulados em abril, maio e junho. A previsão para este inverno é de que a estiagem continue. Em Bauru não chove há cerca de 30 dias, e até a próxima terça-feira, não há sinais de alteração neste quadro.

Da Redação

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