Dili - O presidente de Timor Leste, Xanana Gusmão, recuou e anunciou ontem que não renunciaria mais ao cargo. Ele havia anunciado na véspera a intenção de deixar a Presidência, caso o primeiro-ministro e seu adversário político, Mari Alkatiri, insistisse em continuar na chefia do governo.
Bem mais que um conflito pessoal, o episódio reflete a instabilidade institucional de um país que enfrenta a maior crise de sua curta história. Timor nasceu em 2002, no plebiscito que oficializou sua separação da Indonésia, que o invadiu em 1975, após a retirada dos portugueses.
Boa parte dos timorenses responsabiliza o premiê Alkatiri pela crise militar que levou ao afastamento, em abril, de 600 dos 1.400 homens que integravam o Exército. Em lugar de negociar o fim de uma revolta, permitiu que os militares desertassem como força rebelde.
Com o colapso do Exército e a contaminação da polícia pela crise, a capital de Timor, Dili, ficou em mãos de saqueadores. Cerca de 30 pessoas morreram em confrontos.