Avaí – Setenta e uma famílias de índios das aldeias Ekerua, Kopenoty e Nimendaju, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), vão ganhar uma moradia até o final deste ano por meio do programa Pró-Lar Moradia Indígena, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Cerca de R$ 1,3 milhões serão investidos na construção das 71 casas pelo programa Pró-Lar Moradia Indígena. Os recursos estão sendo repassados pela Secretaria de Estado da Habitação de São Paulo, por meio da CDHU.
A previsão é que as moradias sejam entregues às famílias indígenas em setembro. “Está em fase de cobertura (as casas)”, comenta o vereador de Avaí Paulo Roberto Sebastião, da tribo terena, ressaltando que há cinco anos os índios solicitaram as moradias ao governo.
Acompanhado do cacique Antônio Lulu, da aldeia Kopenoty, o vereador procurou a reportagem do JC no sábado retrasado (dia em que foi realizado o segundo encontro “Povos Indígenas do Centro Oeste em Debate”) para também criticar o que ele considera como um “descaso” do governo Federal em não destinar recursos para consertar os tratores de suas aldeias.
Os tratores, de acordo com o cacique, estão quebrados e sucateados. Segundo ele, as máquinas são utilizadas para realizar o plantio de produtos de subsistência, como mandioca, batata, abobrinha, entre outros. “O governo Federal poderia estar assistindo o índio com outros olhos”, lamenta o cacique.
A falta de estrutura e dinheiro para o desenvolvimento dos projetos agrícolas das aldeias foi uma das questões discutidas pelas lideranças indígenas no encontro de sábado.
O vereador explica que a prefeitura de Avaí, ao contrário do governo Federal, tem dado apoio aos índios na medida do possível, como, por exemplo, na liberação de uma máquina agrícola por 160 horas para que os índios possam realizar o plantio no mês de agosto.
A liberação do uso da máquina foi aprovada pela Câmara no mês passado. “A prefeitura tem ajudado, mas nós queremos que a Funai (Fundação Nacional do Índio) dê apoio aos índios também”, critica Sebastião, lembrando que também foi liberado, pela prefeitura, cerca de R$ 7.000 para ajudar a resolver o problema de energia elétrica que afeta cerca de 26 famílias na aldeia.
“Direitos Indígenas x Desenvolvimento Sustentável” foi o tema do encontro realizado no sábado retrasado entre lideranças indígenas e órgãos públicos municipais, estaduais, federais e universidades da região.