Bairros

Carência de verbas afeta manutenção de áreas

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Falta de dinheiro é capaz de levar qualquer casa à ruína. No caso do centros comunitários, “lares” das associações de moradores, a carência de recursos para manutenção são o principal motivo para situações de abandono.

Na Vila Nova Esperança, o espaço de convivência está fechado. Nenhum morador sabe especificar ao certo por quanto tempo a situação vem estendendo-se. “Faz mais de quatro anos, posso garantir”, afirma Nair Rossi de Carvalho, última presidente da entidade de moradores do local.

O antigo espaço de convivência está depredado, com janelas e portas arrombadas. “Não deu para arrumar. Quando entrei para a associação, a situação já estava horrível, mas não tínhamos recursos para reformas”, defende-se.

Em outros bairros a situação repete-se. Na Vila São Paulo, o centro comunitário está há mais de três anos fechado. “Não havia recursos para reformar. Pedi na prefeitura, mas negaram. O jeito foi apelar para os empresários. Quem sabe algum resolve nos ajudar”, acredita o presidente da associação de moradores do bairro, José Bonifácio Lima.

Segundo Fabiana Lima, diretora do departamento social da Secretaria das Administrações Regionais de Bauru (Sear), conseguir dinheiro para obras em centros comunitários é tarefa complicada. “Não temos recursos específicos para esse fim”, afirma.

De acordo com ela, pequenas obras podem obter mais sucesso na obtenção de verbas. Mas a liberação de dinheiro para reformas como as exigidas na Nova Esperança e na Vila São Paulo é algo, no mínimo, improvável. Construção de novos espaços de convivência, então, impossível.

“Temos uma estimativa de que para erguer um centro comunitário gaste-se algo em torno de R$120 mil e a prefeitura não pode dispor de uma quantia dessas com tamanha facilidade”, pondera a diretora da Sear.

Os presidentes de associações sabem por experiência própria que os recursos públicos são escassos, quando se trata de manter locais de convivência. “Fiquei dois anos brigando por recursos na prefeitura, mas só recebi negativas. Em época de campanha eleitoral prometem reformas, benfeitorias, mas quando chega a hora de honrarem os compromissos, esquecem de tudo”, reclama Carvalho.

Além da carência de verbas públicas, outro problema que atrapalha a manutenção dos centros comunitários é a dificuldade que as associações de moradores têm para arrecadar dinheiro própria. “A associação alugava o salão para festas, mas o lucro obtido não era capaz de bancar uma reforma completa”, diz Carvalho.

Enquanto os recursos não chegam, quem sofre com os centros comunitários são os vizinhos. Sueli Soares, moradora da Vila Nova Esperança, teve a chance de experimentar os resultados práticos da falta de verbas para os centros comunitários.

Há cerca de duas semanas, o irmão de 30 anos, que é deficiente mental, ficou preso no espaço de convivência abandonado. “Ele foi brincar na rua e demorou para voltar. Saímos para procurar, gritando o nome dele pelas ruas. Quando ele respondeu, vimos que estava trancado numa sala do centro”, conta ela.

Como a porta estava emperrada e o irmão era incapaz de abrir por conta própria, a única solução encontrada foi arrombar o imóvel, que fica a duas quadras da residência de Soares.

Ela acredita que o irmão tenha sido vítima de uma brincadeira de crianças do bairro. Segundo ela, o rapaz tem costume de brincar no local. “A gente fala para ele não ir até lá, mas não é fácil ele entender”, explica.

Soares aguarda uma solução que ponha fim ao abandono do centro comunitário. “Antigamente era tão bom. Havia cursos, festas. Hoje é só mato e sujeira”, diz.

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Mudança

Em muitas partes de Bauru, a população lamenta o abandono de alguns espaços de convivência. Mas no Jardim Progresso o fechamento de um centro comunitário significou o fim de uma discórdia entre “vizinhos”. O local desativado será reformado e dará lugar a uma escola municipal de educação infantil integrada (Emei).

O motivo das desavenças foi o barulho provocado pelas festas realizadas no espaço. “O pessoal que mora perto do salão vivia reclamando do barulho quando havia festas e bailes”, conta Luiz Sérgio Faria, presidente da associação dos moradores do bairro.

Por considerar a situação desgastante, o dirigente preferiu fechar o lugar. “Não tinha como manter aquilo aberto. Pelo menos a escola trará educação ao bairro”, comenta ele. Sônia Aparecida Tragante, que mora em frente ao centro comunitário fechado, recorda da situação anterior à desativação do espaço. “Tinha dias em que o som era insuportável, ficava difícil dormir”, reclama.

Segundo Nelson Fio, Secretário Municipal das Administrações Regionais, situações como a do Jardim Progresso ocorrem quando a população não busca uma participação ativa nos espaços comunitários.

“As pessoas deveriam tentar ocupar esses espaços para desenvolverem projetos de real interesse coletivo. Se deixarem nas mãos de meia dúzia de pessoas, a coisa desvirtua e o centro comunitário perde a razão de existir”, acredita.

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