A falta de um centro comunitário nem sempre é o maior problema para uma associação de moradores de bairros. Em Bauru, existem 94 sociedades de representação comunitária nos bairros da cidade, segundo dados da Secretaria das Administrações Regionais de Bauru (Sear), e a maior parte dessas entidades não têm sequer uma sede para reuniões de diretoria.
Do total de associações, pelo menos 43 constam como não possuindo um local próprio para reuniões. Se a esse número fossem somadas as entidades cujos dados sobre sede não constam no cadastro da prefeitura, a quantidade subiria para 50.
Dentre aquelas apontadas pela Sear como possuindo endereço próprio, ao menos cinco encontram-se desalojadas. É o caso da Associação dos Moradores do Jardim Redentor. O centro comunitário, antigo local de encontro da diretoria, encontra-se desativado há cerca de quatro anos.
“A sede funciona na minha casa”, conta a presidente Tânia Rúbia Lanzetti. O local está depredado, com o telhado esburacado e sem energia elétrica. “Não dá para fazermos reuniões lá, pois nem luz há no prédio”, completa.
Os documentos da entidade ficam guardados na casa de Lanzetti. “No centro comunitário os papéis ficariam expostos ao tempo e aos ladrões”, afirma.
Na Vila São Paulo, a associação de moradores também encontra-se “desabrigada”, desde que o espaço de convivência do bairro foi fechado. “Pedimos ajuda da prefeitura e de empresários, mas é difícil conseguir apoio para reformas”, diz o presidente José Bonifácio Souza Lima, que também cede sua residência para que reuniões sejam feitas.
Situação pior vivem as entidades de bairro que sequer possuem centros comunitários abandonados. Zaqueu Vieira da Silva é presidente da Associação dos Moradores do Bairro Tangarás e do Parque Bauru Mirim. Funcionando regularmente desde 2001, até hoje a instituição não tem sede própria.
“Solicitamos ajuda nos órgão públicos, mas sempre negam”, garante Silva. “Apenas em época de eleição os políticos aparecem, só que nunca cumprem aquilo que prometem”, reclama.
Nelson Fio, responsável pela Sear, admite a importância de as associações de moradores possuírem sede. Ele afirma que a prefeitura estuda meios de colaborar para que o problema seja resolvido. “Podemos ajudar com a doação de espaço, só que é preciso uma contrapartida das associações, arcando com a construção dos imóveis”, argumenta.