O comandante geral da Polícia Militar (PM), coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, confirma que recebeu a informação de que uma nova megarrebelião coordenada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) poderia ocorrer e que os agentes penitenciários seriam o alvo deste ataque. Mas ele ressalta que há muita contra-informação e que os membros do PCC poderiam estar “plantando” o boato para tentar pressionar o governo e, assim, evitar transferências de presos integrantes da facção hoje recolhidos em Presidente Bernardes para uma unidade de segurança máxima inaugurada na semana passada em Catanduvas, no Paraná.
“Considero muito a possibilidade de que estejam “plantando” esta informação, tanto que na data indicada (para megarrebelião e ataques) não aconteceu nada. Agora, se você me perguntar ‘Então não vai acontecer?’, eu digo: pode acontecer”, pondera Eclair. Ele ressalta que Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, está em um presídio de segurança máxima em Presidente Bernardes, de regime disciplinar diferenciado (RDD), e que outros 765 homens de peso da facção estão em um presídio em Presidente Wenceslau, considerado de maior segurança que a maioria das unidades prisionais do Estado. “Eles estão com muito receio de transferência”, comenta.
Mas Eclair acredita que não haverá motivo para transferência desses presos para o Paraná. “O nosso presídio RDD é modelo para o Brasil. Nunca teve fugas. Não temos motivo para a transferência, tanto que recebemos o Fernandinho Beira-Mar”. Porém, o comandante geral da PM admite que a corporação, assim como toda Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria da Administração Penitenciária, que administra 144 presídios no Estado de São Paulo, estão alerta.
Dia dos Pais, data mencionada nos boatos, será uma ocasião em que a segurança estará reforçada. Passados quase dois meses da onda de ataques do PCC que aterrorizou o Estado de São Paulo, Eclair, que sexta-feira esteve em Bauru reunido com 110 oficiais da PM da área do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), falou ao JC sobre PCC e segurança. Confira abaixo.
JC - A sensação de que o policial pode ser alvo do PCC já passou ou ainda persiste?
Eclair - Não, ainda persiste porque eles (membros do PCC) olham a polícia como maior representante do Estado. Na realidade, eles estão atacando o Estado, a democracia, e a polícia é o maior representante do Estado. Levando em consideração boatos como estes, há muita contra-informação por conta da preocupação deles de serem transferidos.
JC - O que mudou na PM do Estado de São Paulo após a onda de rebeliões e ataques de maio?
Eclair - Antes, o crime organizado entrava no bolo de análise de informações. Após os ataques de maio, criamos um modelo, um sistema específico para analisar, estudar o crime organizado. Temos uma sessão só para tratar do crime organizado e particularmente desta facção criminosa (PCC).
JC - E qual a função desta sessão?
Eclair - Os policiais desta sessão são responsáveis por analisar as informações recebidas e dar o start (em caso de ameaça real de novos ataques e rebeliões).
JC - Se ocorrer uma nova onda de ataques e rebeliões do PCC, o senhor acha que a população vai novamente entrar em desespero como aconteceu em maio? Abandonar o trabalho, as escolas e ir para casa?
Eclair - Nós cometemos um erro (em maio) de não dizer à população, já logo no início, que confie na polícia, que estávamos na rua e que o alvo não era o cidadão. Quando fizemos isso, resolveu-se o problema. Rebeliões nós vamos ter sempre em presídios. E quando precisar, a polícia vai entrar e resolver isso. Agora, se por acaso nós realmente tivermos novos ataques, eu acredito que a população sabe que ela vai ter retorno. Em maio, entre mortos e presos, foram mais de 250 pessoas. Imagina isso para os infratores, inimigos? Isso é um baque muito forte. Foram apreendidas muitas armas.
JC - A prioridade da PM hoje continua sendo o crime contra a pessoa ou o PCC?
Eclair - Não, nossa prioridade é combater o crime contra a pessoa e o patrimônio. É também com a organização (PCC) porque é uma organização comercial, que visa o lucro, à medida que faz roubo de carga, seqüestro. E isso envolve, muitas vezes, homicídio, roubo. Mas eu tenho o orgulho de falar que o Estado de São Paulo saiu - e é a ONU (Organização Mundial das Nações Unidas) quem diz - do ano 2000 de 12.600 homicídios no Estado e chegamos em 2005 a 7.200 homicídios. E ainda este número está muito alto, temos que derrubar mais. Nos primeiros cinco meses deste ano, comparando-se com janeiro a maio de 2005, tivemos uma redução de 17% nos homicídios no Estado.