Política

Câmara fecha semestre sob expectativa

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A opinião pública tem observado qual vai ser a posição da da Câmara Municipal de Bauru com relação às denúncias de suposto caixa dois na campanha eleitoral da aliança formada pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido) e pelo presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o vice-prefeito Renato Purini (PMDB). Apesar dos discursos cobrando explicações do prefeito e do vice, os vereadores têm adotado a cautela ao falar sobre o assunto.

Ao que tudo indica, esse cuidado dos parlamentares se espelha no presidente da Câmara, Toninho Garmes (PSDB), que fala comedidamente sobre o assunto. Garmes tem administrado a Câmara Municipal pregando a harmonia independente entre os poderes, para não prejudicar a cidade. Mas apesar disso, o vereador afirmou que a Câmara não ficará à margem das denúncias, nem fará vistas grossas.

“Eu não tenho me envolvido nessa questão, porque todos os requerimentos que acontecerem virão nas minhas mãos. Eu não posso vincular minha palavra, porque no futuro posso ter dificuldades para dar andamento na questão. Então, tem que ter cautela”, afirmou.

Com base em experiências consideradas traumáticas para a cidade nos últimos anos, com cassações de prefeito e vereadores, Garmes afirma que a Câmara Municipal não vai fugir de sua responsabilidade, mas também não vai promover nenhuma caça às bruxas. “A Câmara tem poder para fiscalizar os acontecimentos. Não estou incentivando fazer requerimento de CEI, só estou dizendo que a Câmara tem o poder de investigar”, destacou. Para o presidente da Câmara, o excessivo cuidado se justifica por causa da dificuldade de administrar a situação, caso seja necessária a abertura de CEI para apurar os fatos, contudo, Garmes ressalta que mesmo com essa cautela, não se pode deixar nenhuma denúncia sem esclarecimento. “Se há elementos, tem que se cumprir a obrigação”, afirmou.

O primeiro passo da Câmara será convocar o prefeito Tuga Angerami e o presidente da Emdurb, o vice-prefeito Renato Purini, para esclarecerem as acusações de que teriam recebido, supostamente, da empreiteira Marquise quase R$ 400 mil em doações não contabilizadas para a campanha eleitoral. A suposta doação teria como objetivo o controle da coleta de lixo em Bauru. O requerimento de audiência pública foi assinado por vários vereadores e será votado na sessão de amanhã. Caso a convocação seja aprovada, a intenção do presidente da Câmara é marcar a audiência ainda para esta semana, mais provavelmente na sexta-feira, já que na quarta-feira Angerami e Purini deverão ir ao Ministério Público, a convite do promotor Fernando Masseli Helene e na quinta-feira há sessão solene para entrega do título de Cidadão Bauruense ao deputado Pedro Tobias (PSDB) e ao secretário de Estado dos Transportes, Dario Rais Lopes.

Para Garmes, a audiência vai determinar qual será a participação da Câmara no caso. Segundo ele, se o prefeito Tuga Angerami e o vice Renato Purini conseguirem convencer os vereadores que não houve caixa dois na campanha, o assunto perde a força, ao menos no Legislativo. “Se não forem convincentes, fica a critério dos vereadores que posição tomar. Como presidente da Câmara, eu aguardo explicações e estou em compasso de espera”, ressaltou.

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