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Portugal se classifica no jogo mais violento das Copas

Folhapress
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Nuremberg - Parecia uma discussão banal, dessas comuns em jogos de futebol, até o português Luis Figo acertar uma cabeçada no atacante holandês Van Bommel. Era a centelha que faltava para transformar um jogo tenso em uma batalha campal que ganhou seu lugar na história.

O russo Valentin Ivanov mostrou 16 amarelos e quatro vermelhos em Nuremberg, recorde em uma partida de Copa. Mais: mesmo restando 12 jogos para o fim do torneio, a edição de 2006 já tem recorde de expulsões - 23 em 52 duelos, uma a mais do que nas 64 partidas da França -98.

Os números da violência são impactantes, mas incapazes de traduzir o nervosismo. Também não podem revelar a emoção dos portugueses ao festejarem o suado 1 a 0, construído no primeiro tempo e defendido por nove atletas durante parte da etapa derradeira.

“Foi uma vitória de heróis, que merecem ser lembrados para sempre”, disse Luiz Felipe Scolari após o duelo. O treinador até tentou empurrar todos os méritos a seus comandados. Depois, contudo, reconheceu que a vitória tinha todas as marcas do seu sucesso.

“O jogo teve a minha cara, a cara da superação. Foi um jogo típico de Libertadores. É meu papel fazer os jogadores correrem um pouquinho mais, lutarem um pouco mais. É assim que se vence.”

Tal luta chegou a ser literal ontem. Daquela desavença entre Figo e Van Bommel, ocorrida no início do segundo tempo, pontapés, empurrões, cotoveladas e entradas fortes se tornaram comuns. Bastavam dois jogadores entrar em contato para as rusgas começarem.

O momento de maior eletricidade ocorreu aos 26 minutos, quando a Holanda deixou de devolver uma bola mandada para fora para o atendimento ao goleiro Ricardo. O zagueiro holandês Heitinga, que acabara de entrar, aproveitou o descuido dos portugueses, que esperavam o “fair play”, e partiu em disparada ao ataque.

Irritado, Deco acertou as pernas do rival com um carrinho de artes marciais. Uma troca generalizada de agressões se seguiu, interrompida depois com três cartões amarelos. Um deles, claro, para Deco, que mais tarde foi expulso ao retardar a partida. Era o segundo luso a deixar o campo - Costinha havia levado vermelho.

“Naquela altura, eu não acreditava que agüentaríamos a pressão. Mas nunca vi um grupo tão unido, com tanta volta de ganhar”, diz Scolari.

Não parecia que seria tão difícil. Mais organizado que o rival, seu time fez o gol aos 23 minutos do primeiro tempo. Deco cruzou da esquerda, e Pauleta ajeitou para Maniche, que se livrou de um zagueiro e chutou.

O tempo começou a mudar quando Scolari perdeu Cristiano Ronaldo, que deixou o campo chorando. Fora atingido deslealmente no início da partida e não suportava a dor na coxas provocada pelas travas de Boulahrouz.

Após o apito final, voltou a chorar, agora pela emoção de estar entre os oito melhores da Copa, meta de Scolari. Fã de “A Arte da Guerra”, livro do general chinês Sun Tzu, o treinador brasileiro se poupou de comentar o próximo rival, a Inglaterra. “Vou começar a pensar nisso amanhã (hoje). Agora não dá. Esse jogo foi demais.”

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