Dili - O partido que governa Timor Leste rejeitou as pressões pela renúncia do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que vem sendo responsabilizado pela pior crise desde a independência do país, contrariando os pedidos do presidente Xanana Gusmão e levando o chanceler José Ramos Horta a anunciar que deixará o cargo.
As divergências ameaçam desagregar ainda mais a frágil liderança timorense, que tenta retomar o controle do país com a ajuda de tropas estrangeiras após os confrontos que deixaram ao menos 30 mortos e levaram cerca de 150 mil pessoas a fugir da capital, Dili.
Muitos timorenses acusam o premiê Alkatiri de ter ajudado a deflagrar a crise ao expulsar do Exército cerca de 600 soldados em abril. Alkatiri também é suspeito de ter formado uma milícia armada para silenciar seus rivais, o que o premiê nega.
Considerado um dos heróis da resistência contra os 24 anos de ocupação indonésia, o presidente Xanana Gusmão disse na semana passada que renunciaria caso Alkatiri insistisse em permanecer no cargo, o que levou milhares de pessoas às ruas para exigir a saída do premiê.
O gabinete do presidente Xanana Gusmão não informou qual seria seu próximo passo. Mas Ramos Horta, seu antigo aliado e Nobel da paz de 1996 por sua luta não violenta contra o domínio indonésio, reagiu à permanência de Alkatiri anunciando sua demissão.
Ramos Horta, que passou a acumular a pasta da Defesa no mês passado devido à crise, disse que exercerá as funções “até que um novo governo seja formado.” O ministro dos Transportes, Ovideo Amaral, também apresentou sua demissão.