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Ronaldinho se destaca como meia-armador

Folhapress
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Dortmund - Na Copa da Alemanha, nada mais falso do que chamar Ronaldinho de meia-atacante. Só a primeira parte da denominação que sempre acompanhou a carreira do jogador entrou em campo até agora.

O astro do Barcelona tem números impressionantes em fundamentos típicos de um meia. Mas é uma negação no ataque. E isso aparece tanto em itens mais elementares, entre eles o fato de Ronaldinho não ter feito um gol sequer até agora (seis brasileiros já conseguiram isso), como nas estatísticas dos 54 jogos já realizados pelo torneio.

São vários os pontos que provam o quanto Ronaldinho está longe do gol. Sua média de finalizações não passa de 1,7 por jogo. No último Campeonato Espanhol, quando marcou 17 gols em 29 partidas pelo Barcelona, o duas vezes eleito melhor do mundo teve média de quase quatro conclusões por partida.

Quase a mesma média que teve na Copa dos Campeões da Europa, quando ergueu a taça do torneio e lutou pela artilharia com atacantes natos até a final da competição, quando o Barcelona ganhou do Arsenal por 2 a 1 sob chuva em Paris.

O camisa 10 não ficou uma vez sequer impedido - o que muitas vezes mostra falhas de posicionamento, mas é típico de um atacante, na Copa. Chegar à linha de fundo também foi uma raridade para ele na primeira fase.

No jogo contra o Japão, por exemplo, ele fez isso quatro vezes. Teoricamente com funções mais defensivas, Juninho conseguiu cinco jogadas desse tipo. “O treinador me disse que meu papel é fazer o time jogar e controlar o ritmo da partida. Ainda estou aprendendo a fazer isso”, disse Ronaldinho em entrevista para o site oficial da Copa do Mundo da Alemanha.

E as estatísticas dizem que ele está aprendendo rápido. Se no ataque Ronaldinho nada tem de melhor jogador do mundo, no meio-campo ele vai muito bem, obrigado. Ele era, antes dos jogos de ontem, o quarto jogador mais acionado da Copa. Ele recebe, em média, 66 bolas por jogo.

E como ele trata bem a redonda. Para um jogador de meio-campo que executa passes de alta dificuldade, seu aproveitamento de 92% é fantástico. Como faziam jogadores do tipo de Gerson, na Copa de 1970, Ronaldinho vem se especializando também em passes longos. Ele lidera o ranking de lançamentos do Mundial, com 6,7 tentativas por partida.

Passes e lançamentos de Ronaldinho acabaram em gols ou em lances que os colegas de time tiveram chances claras de marcar. Das 12 assistências brasileiras na primeira fase, cinco saíram dos pés de Ronaldinho, que não balança as redes pela Seleção Brasileira há nada menos do que oito partidas.

O longo jejum não incomoda o atacante. “Minha característica principal sempre foi preparar as jogadas para os atacantes. Nunca fui artilheiro”, explica. Entre os quatro atletas que formaram o “quarteto mágico” nos dois primeiros jogos do Brasil na Copa, Ronaldinho é o único que não balançou a rede. Kaká fez um gol, assim como Adriano. Ronaldo marcou dois.

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