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Polícia mata 13 supostos membros do PCC

Por Kleber Thomaz | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - A polícia paulista matou ontem 13 pessoas, supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), minutos antes do que seria uma tentativa de ataque da facção criminosa contra agentes penitenciários em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

A operação policial ocorreu às 7h de ontem, a 500 metros de um Centro de Detenção Provisória (CDP). Os mortos -12 homens e uma mulher- teriam sido surpreendidos pela polícia quando se preparavam para atacar três agentes em um ponto de ônibus. Cinco suspeitos foram presos e outros quatro conseguiram fugir.

Segundo o delegado Marco Antônio de Paula Santos, chefe da Delegacia Seccional de São Bernardo, a ordem do ataque partiu de dentro dos presídios, “presumidamente vinda do alto escalão” do PCC. A intenção da facção, de acordo com Santos, era retomar as ações iniciadas em maio deste ano como forma de pressão para diminuir o rigor nos presídios paulistas, principalmente contra os líderes da facção. Naquele mês, entre os dias 12 e 19, 42 agentes de segurança foram mortos em ataques.

A Polícia Civil da Grande São Paulo diz ter descoberto o suposto atentado há dez dias. Segundo o delegado Santos, informações de presos rivais, de informantes da polícia e de escutas telefônicas revelaram que o PCC pretendia matar de cinco a 15 agentes penitenciários. Os alvos seriam funcionários de CDPs em São Bernardo, Diadema, Mauá e Santo André. O comando do PCC teria dado dez dias para que a ação fosse concretizada por uma grupo local.

Os criminosos estavam sendo pressionados a realizar o ataque. A tentativa ocorreu ontem, no 9º dia do prazo estabelecido. Cerca de 70 policiais civis à paisana chegaram ao local por volta das 3h. Eles se dividiram em dois postos de gasolina e outros pontos nas proximidades do CDP. Segundo a polícia, os suspeitos chegaram em seis carros, por volta das 5h30. Eles teriam ficado à espera da saída dos funcionários do CDP. Segundo o delegado, a movimentação dos suspeitos ao redor do presídio passou a ser monitorada.

A ordem para matar três funcionários que rumavam para o ponto de ônibus teria sido interceptada pela polícia, o que precipitou a abordagem. “A intenção era prender, mas houve reação”, disse Santos. Dez suspeitos foram mortos a tiros nas proximidades do CDP. Três foram perseguidos e mortos no município vizinho de Diadema.

Cinco suspeitos foram presos: três mulheres foram acusadas de trabalhar como “olheiras”, repassando informações à quadrilha sobre a movimentação dos agentes. Outros dois homens teriam participado do confronto e foram rendidos. Dos 13 mortos, 11 tinham antecedentes criminais, segundo a polícia. Na maior parte, por tráfico de drogas e roubo.

Segundo Santos, os dois líderes do ataque estão no grupo de mortos: Márcio José dos Santos, o Marcinho, seria “piloto” (que comanda as ações em uma região) do PCC em Diadema, Adriano Wilson da Silva, o Boy, líder da facção em São Bernardo e com envolvimento em roubos de carga, e Evilson Rodrigues de Oliveira, com passagem por roubo e tráfico.

Na lista de mortos divulgada ontem pela polícia, também apareciam os nomes de Eduardo de Jesus Batista, o Du, Welington de Araújo Carvalho, o Boquinha, Francisco Laurindo dos Santos, o De Assis, Fernando de Almeida, o Fedô, Mário Tavares, Ana Paula de Sousa e mais quatro suspeitos identificados apenas pelos apelidos: Beiço, Juba, Caixa e Magu. “Eu não sei se todos são do PCC. Mas cumpriam ordem de uma facção criminosa”, afirmou o delegado.

A polícia apresentou ontem 15 armas - sete revólveres, sete pistolas e uma espingarda- que teriam sido apreendidas com o grupo. Família No Instituto Médico Legal (IML) de Diadema, para onde os corpos foram levados, familiares admitiram o envolvimento dos suspeitos, mas afirmaram que eles foram mortos sem chance de se defender. “Quando ele falou para a gente que estava no PCC, a família ficou aflita”, declara R., irmã de um dos 13 mortos.

“Ele era bandido, já tinha sido preso antes, mas agora foi executado. Tenho certeza de que os policiais o pegaram, o levaram para algum lugar e deram tiros nele”, fala R., que , assim como mais duas outras pessoas ouvidas pela "Folha de S.Paulo" confirmaram que seus parentes eram membros do PCC.

Sob ameaça

As pessoas mortas pela polícia ontem teriam sido obrigadas pelo PCC a fazer um ataque contra agentes penitenciários, segundo a polícia. O grupo teria sido ameaçado de morte caso não cumprisse a tarefa. Segundo o delegado Marco Antônio de Paula Santos, o grupo foi cobrado pelo comando da facção criminosa por não ter participado ativamente dos ataques realizados entre os dias 12 e 19 de maio.

Os suspeitos teriam ficado com uma dívida que a facção resolveu cobrar, segundo a polícia. Entre as ameaças apuradas na investigação policial está a de obrigatoriamente atender o telefone celular, não fugindo do controle do comando. “A ordem era: se der caixa postal, morre”, afirma o delegado.

Segundo ele, o PCC repassou a ordem de que se os agentes não fossem atacados, quem morreria seriam os líderes locais da facção. Os suspeitos teriam obedecido por medo, segundo a polícia.

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