São Paulo - Antes mesmo de ser questionado pelos jornalistas, o governador Cláudio Lembo (PFL) se apressou para falar das ameaças do PCC de realizar “muitos” ataques em São Paulo, logo depois de uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.
De acordo com o governador, o PCC voltou a fazer ameaças na quinta-feira passada, dia do jogo do Brasil contra o Japão. Mas, segundo Lembo, foram “rechaçados duramente” pela polícia na manhã de ontem. “Nós conseguimos saber onde haveria os ataques. Nós tínhamos escutas, sabíamos o que iam fazer e reagimos. Eles foram vencidos”, afirmou.
O governador, porém, disse não estar feliz. “Eu preferia que houvesse paz e tranqüilidade, não essa violência”, afirmou. Lembo disse ainda que as tentativas de ataques começaram por volta das 22h de anteontem e, até as 9h de ontem, ainda havia “problemas”. Indagado sobre quantos ataques o Estado tinha informação de que ocorreriam na madrugada, ele respondeu que seriam “muitos”. “Iam atacar aqueles pontos tradicionais contra autoridades, metralhando delegacias, obras públicas, instituições públicas. Felizmente, não conseguiram.”
O governador afirmou não acreditar que a ordem para esses novos ataques tenha partido de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o líder máximo do PCC. “Ele está em regime disciplinar. Não acredito que seja ele”, disse. Ressaltou que, apesar das novas tentativas de ataque da facção criminosa, a população pode ficar tranqüila. “A polícia está em alerta. Eu acho que as demonstrações que têm sido dadas pela Polícia Civil e pela Polícia Militar permitem que fiquemos tranqüilos. Eu estou absolutamente tranqüilo.”
Ele disse que ainda não tinha sido informado pelo secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, de algum plano para transferência de presos após o confronto de ontem entre polícia e supostos integrantes do PCC.
Saulo minimiza
Já o secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, que falou com os jornalistas logo depois do governador, minimizou a suposta tentativa de ataque de ontem. “Não foi ataque nesse termo de sair por aí dando tiro. Foram tentativas de resgate, eventualmente atacariam agentes penitenciários para desestabilizar o sistema, para as pessoas se sentirem desprotegidas”, disse. De acordo com ele, o PCC usa as ameaças como forma de fazer “propaganda”.
Segundo Saulo, é como se os integrantes da facção dissessem: “Olha, estamos fortes, estamos aqui, apesar de estarmos isolados’’. Sobre possíveis ataques durante os jogos do Brasil, o secretário acredita ser apenas “especulação”. “Não teve nada concreto. Como você tem que raciocinar com o lado negativo, o que de pior pode acontecer, você imagina que durante os jogos os policiais também têm curiosidade de assistir, as pessoas estão mais relaxadas, as ruas estão mais vazias, as rotas de fuga mais fáceis”, afirmou.
Onda
Ao contrário do governador, Saulo não quis admitir que se trata de uma nova onda de ataques da facção criminosa. “Eu tenho convicção de que a questão era muito mais tentativa de desestabilizar o sistema. Você tenta fazer com que os funcionários do sistema fiquem com medo, com que as famílias dos presos não queiram visitar porque acham que vai haver um resgate.”
O secretário disse que pode enviar integrantes do PCC para a cadeia federal de Catanduvas, no Paraná, inaugurado na sexta. “Outro dia eu tive uma reunião com o Deic e se chegou a falar em 50, 60 vagas. Não precisam ser lideranças máximas (do PCC). Daria uma boa desarticulação”, disse.