Tribuna do Leitor

Milhões de brasileiros sem rumo


| Tempo de leitura: 3 min

Em apenas três dias, milhões de brasileiros saíram às ruas por motivos e motivações totalmente diferentes em vários cantos do nosso País continental. Em São Paulo, na avenida Paulista, a mais brasileira das nossas avenidas e a mais movimentada também, duas passeatas de movimentos diferentes levaram, com alguns dias de diferença, quase três milhões de pessoas para desfilar em seu asfalto. O primeiro movimento, de cunho religioso, reuniu evangélicos, enquanto o segundo movimento levou às avenidas integrantes e simpatizantes do movimento gay no Brasil.

Em outra direção, milhões de brasileiros por ocasião dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de futebol que está sendo realizada na Alemanha, invadiram ruas e avenidas após os jogos da Seleção canarinha para comemorar suas primeiras vitórias no torneio.

Embora sejam eventos com motivações totalmente antagônicas e finalidades e públicos-alvos diferentes, fica no ar uma certa frustração pelo fato de que o brasileiro consegue reunir milhões para protestar ou festejar, mas não consegue “derrubar” governos, assembléias, leis e tudo o que está acontecendo de ruim em nossa vida política. Ao contrário, quando se trata de protestar contra o sistema político, a maioria se ausenta, não quer nem ouvir falar e passa da omissão à indiferença em segundos.

Nos últimos anos, tivemos centenas de motivos para que enchêssemos várias vezes nossas principais avenidas e demais logradouros públicos, mas quer seja por falta de interesse ou até carência de lideranças sérias e bem intencionadas que assim o organizassem, ficamos quase sempre a reboque e deixamos passar aquilo que deveria ser uma prática habitual da maioria.

Já se vão 25 anos da última manifestação popular de cunho político, ocorrida durante a passeata dos estudantes na década de 90 contra o governo Fernando Collor. De lá para cá nem caras pintadas, nem estudantes nem classe artística, nem ninguém mais protestou de forma tão veemente e grandiosa.

Alheia a tudo isso, nossa gente bronzeada caminha alegre pelas praias e parques, preocupa-se mais com a Seleção milionária de Parreira do que com o preço dos combustíveis, fica indignada com os fatos menores que saem no noticiário da televisão, mas nem ficam sabendo que o governo paulista está colocando à venda uma estatal do setor de transmissão de energia (a Cteep) que lhe dá lucros anuais de R$ 500 milhões. O brasileiro é assim mesmo, tudo é normal, tudo é assim mesmo, não adianta isso nem aquilo, as coisas acontecem por força gravitacional e nunca por desejo e vontade de suas próprias forças.

Nossa gente bronzeada não sabe nem nunca se preocupou em saber a força que tem um povo unido em torno de um mesmo ideal. Jamais precisou brigar e, na verdade, nunca se interessou em lutar por seus direitos. É uma pena, é triste, mas é a nossa dura realidade. Somos uma grande Nação alienada nas mãos de políticos e empresários inescrupulosos que nos roubam, nos matam e nos tiram o direito de desfrutar de uma nação que é rica em minérios, que tem a terra mais fértil do planeta e cuja formação geológica foi abençoada por Deus.

Rafael Moia Filho

Comentários

Comentários