Dortmund - Em dia de recordes, o Brasil venceu Gana por 3 a 0, ontem, em Dortmund, pelas oitavas-de-final e assegurou presença na próxima fase da Copa do Mundo. A Seleção enfrenta a França - que venceu a Espanha por 3 a 1 - sábado, às 16h (de Brasília) em Frankfurt.
Com o resultado de ontem, a Seleção Brasileira, além de construir o placar mais elástico das oitavas-de-final, aumentou o número de vitórias consecutivas em Copas. Desde a derrota por 3 a 0 para a França, na final do Mundial-98, já são 11 triunfos consecutivos, recorde absoluto entre todas as seleções.
Além disso, o Brasil manteve a tradição de vencer todos os adversários africanos que cruzam o seu caminho em Copas sem tomar qualquer gol. Com o de ontem, são cinco triunfos em cinco jogos - as outras vitórias foram contra o Zaire (3 a 0, em 1974), a Argélia (1 a 0, em 1986), Camarões (3 a 0, em 1994) e Marrocos (3 a 0, em 1998).
Os jogadores brasileiros também aproveitaram a partida para amealhar marcas históricas. Além do recorde de Ronaldo, o gol de Adriano foi o 200º da história do Brasil em Copas e o lateral-direito Cafu se tornou o brasileiro com o maior número de jogos (19) e o jogador com mais vitórias (16) em Mundiais.
Já a Seleção Ganense, embora se mostrasse bastante confiante antes do confronto com o Brasil, não conseguiu repetir os melhores desempenhos africanos em Mundiais, conseguidos por Camarões e Senegal, sétimos colocados em 1990 e 2002, respectivamente.
O Brasil abriu o placar em sua primeira boa jogada, aos cinco minutos. Kaká carregou pela meia esquerda e encontrou Ronaldo sozinho em meio à defesa ganense. O atacante avançou, aplicou um belo drible no goleiro Kingson e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 15 gols. Embora os ganenses marcassem forte no meio-campo, o posicionamento em linha de sua defesa facilitava metidas de bola dos brasileiros.
Assim, aos 13, Adriano recebeu livre, em posição irregular não anotada pelo trio de arbitragem, mas falhou ao tentar driblar o goleiro, sendo ainda advertido com cartão amarelo por simular um pênalti. O primeiro chute de Gana veio aos 18 minutos, quando Draman se aproveitou do rebote de uma falta pela esquerda e, da intermediária, mandou no meio do gol, facilitando o trabalho de Dida.
Depois de tomar o gol, Gana passou a ficar mais tempo com a posse de bola e ser melhor no jogo, criando jogadas ofensivas, enquanto o Brasil apenas se aproveitava de contra-ataques. Aos 24 minutos, Amoah recebeu sem marcação, na entrada de área, mas errou o chute, que passou à esquerda do gol brasileiro. Aos 28, nova chance africana, outra vez com Amoah, mas Dida defendeu fácil.
Logo depois, o Brasil quase chegou, depois de um escanteio que Lúcio cabeceou para o meio da área e o goleiro Kingson não conseguiu segurar. Gana assustava com freqüência. Aos 35, Asamoah Gyan se aproveitou de cruzamento pela direita, mas bateu por cima. Aos 42, a melhor chance africana. O zagueiro Mensah subiu sozinho após escanteio e cabeceou para para baixo. Dida, no susto, defendeu com o pé direito.
Aproveitando-se do posicionamento defensivo equivocado de Gana e da ajuda da arbitragem, o Brasil fez o segundo, aos 46 minutos. Lúcio passou para Kaká, que tocou para Cafu. O lateral-direito cruzou e Adriano, impedido, completou para as redes, fazendo o gol de número 200 do Brasil em Mundiais e finalizando o primeiro tempo.
Na volta para a etapa final, a característica fundamental do jogo não mudou. Gana continuou dominando a posse de bola e pecando nas finalizações. E o Brasil se utilizando do mau posicionamento defensivo ganense para criar perigo.
Aos 16, Parreira fez a sua segunda substituição, colocando Juninho no lugar de Adriano (Gilbeto Silva entrara antes na vaga de Émerson, machucado). Mas Gana continuou melhor. Aos 24, Asamoah Gyan, recebeu passe, bateu forte e obrigou Dida a espalmar bem, no canto esquerdo. O goleiro ainda se recuperou antes que Amoah pudesse aproveitar o rebote. Voltando às más atuações dos dois primeiros jogos, o Brasil, satisfeito com o placar construído, fechava-se em seu campo e não criava qualquer jogada de qualidade, sendo vaiado pelos torcedores.
Aos 34, mais uma vez Asamoah Gyan chegou na área e chutou para defesa de Dida. Aos 37 minutos, Gyan recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, acusado de se jogar na área, tentando um pênalti.
Aos 39 minutos, o Brasil chegou ao terceiro. Ricardinho, que substituiu Kaká muito bem, lançou Zé Roberto. Em posição legal, o meia deu um leve toque para tirar o goleiro Kingson da jogada e apenas tocou para o gol vazio.
Nos últimos cinco minutos, o Brasil criou outras três boas oportunidades, com Ronaldo, Cafu e Juan, mas não ampliou. O time, que era vaiado até poucos instantes atrás, ainda ouviu gritos de “olé” e deixou o campo sob aplausos das arquibancadas.
Com a vitória, a Seleção Brasileira ampliou para 16 jogos sua invencibilidade. O time de Parreira não perde há mais de um ano. O último revés da equipe nacional foi para o México por 1 a 0, em Hannover, em 19 de junho de 2005, pela primeira fase da Copa das Confederações. Depois, contando o duelo contra os ganenses, foram 12 vitórias e quatro empates. A última vez que a equipe de Parreira não deixou o campo com a vitória foi contra a Bolívia (1 a 1), em outubro, pelas eliminatórias. Depois, ganhou da Venezuela, Emirados Árabes, Rússia, Lucerna (SUI), Nova Zelândia, Croácia, Austrália, Japão e Gana.