Botucatu - Uma pesquisa que está sendo desenvolvida por uma equipe de profissionais da área médica do Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, conseguiu um índice maior de “cura” de pacientes com Hepatite C, se comparado a outras pesquisas semelhantes.
O titular da cadeira de gastroentereologia do HC, Giovanni Faria Silva, obteve em sua pesquisa uma Resposta Virológica Sustentada (RVS) (que eqüivale à “cura” dos portadores da hepatite C) em 52% dos casos.
O índice é superior ao alcançado em outras pesquisas semelhantes realizadas em todo o mundo. Apenas para efeito de comparação, trabalho semelhante realizado pelo médico americano Manns conseguiu uma RVS em torno dos 42%, ou seja, os resultados obtidos pela equipe do médico brasileiro, no tratamento da doença, é cerca de 10% mais eficaz.
Silva atribui o resultado positivo à forma como é feito o tratamento nos pacientes infectados no Brasil.
Segundo ele, os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar durante as 48 semanas em em que são submetidos ao tratamento. “Os pólos de tratamento assistidos é uma característica do Brasil. Eu, pelo menos, não tenho conhecimento de que tenha em outros países”, comenta o médico.
O fato dos pacientes serem assistidos por uma equipe formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionista, no Pólo Assistido na Unesp de Botucatu em parceria com a Organização Não Governamental (ONG) “C Tem que Saber C Tem que Curar”, pode ser o fator que explicaria o melhor resultado no índice de “cura” registrado pelo estudo.
De acordo com Silva, o tratamento assistido seria uma vantagem sobre a medicação exclusivamente domiciliar, normalmente empregada em outras pesquisas. “Isso funciona também como uma terapia de grupo. Os pacientes se encontram com outros nas mesmas condições e isso gera uma tranqüilidade maior e um entendimento melhor dos efeitos colaterais (do tratamento)”, comenta.
No Pólo Assistido na Unesp, uma equipe de profissionais acompanha semanalmente os pacientes. Silva explica que o tratamento apresenta efeitos colaterais indesejados e isso faz com que, muitas vezes, os pacientes desistam dele. Por isso, é importante o tratamento assistido.
Mais eficiente
De acordo com a ONG “C Tem que Saber C Tem que Curar”, o tratamento assistido obtém uma boa vantagem sobre a medicação domiciliar e aponta para a forma atual mais eficiente de cura. Isso se deve porque ele aumenta o número de adesão dos pacientes ao contrário do tratamento domiciliar, onde o número de adesão é menor.
Silva explica que, de 2004 até agora, cerca de 250 pacientes estão em tratamento. Ele ressalta que é necessário que persista a RVS após o sexto mês do fim do tratamento para considerar o paciente “curado”. “Nós já terminados o tratamento em quase 170 pacientes. Só que para incluir no estudo a gente tem que esperar um tempo para ver se realmente respondeu. Nós só incluímos nesta primeira avaliação 58 casos (...). Desses (casos), 51,8% sustentaram a eliminação do vírus”, comemora o médico.
O resultado do estudo realizado por Silva e sua equipe deve ser publicado por revistas nacionais e estrangeiras.