Rio de Janeiro - A Petrobras anunciou ontem o reajuste do gás natural a partir de sábado. O gás comprado da Bolívia pela estatal sofrerá um aumento de 10% e significará um repasse de 6% às distribuidoras estaduais. O reajuste é resultado da aplicação do contrato em vigor entre a Petrobras e a YPFB (a estatal petrolífera da Bolívia), que prevê aumentos trimestrais.
Segundo a estatal, o preço definitivo do gás será conhecido no início de julho, com base no cálculo de uma cesta de óleos combustíveis do mercado internacional. O Brasil importa em média 26 milhões de metros cúbicos diários. A Bolívia também negocia com o Brasil um novo aumento de preços que não está previsto em contrato.
Com a nacionalização das reservas de petróleo e gás anunciada no último dia 1 de maio, o país vizinho começou a pressionar seus principais compradores - Brasil e Argentina - a aceitarem o reajuste. A Petrobras, entretanto, anunciou que não aceita aumentos que não estejam previstos no contrato, ameaçou recorrer a uma câmara de arbitragem internacional e ainda congelou investimentos no país vizinho.
A decisão sobre o reajuste pode ocorrer em um período de 180 dias após o último 1 de maio - ou seja, até o final de outubro. A expectativa de analistas é de que o aumento, se ocorrer, só seja anunciado após as eleições no Brasil.