Quase viraram cinzas as perspectivas dos moradores do entorno do Parque Residencial Camélias de usufruírem das sombras das árvores nativas na região. Enquanto aguardam a aprovação dos projetos de urbanização elaborado para duas áreas verdes, assistem à queima irregular da vegetação, que também acumula lixo e resíduos de material de construção.
“As (árvores) que foram queimadas, vamos ter de tirar. As áreas já foram adotadas (por entidades e comerciantes próximos). Só falta a prefeitura (“bater o martelo”)”, diz Terezinha dos Santos Oliveira, presidente da Associação de Moradores dos bairros Vila Engler, Jardim Auri-Verde e Jardim Contorno.
Há um ano, ela espera uma destinação para duas áreas vizinhas, separadas apenas pela rua Sebastião Pregnolato. Os terrenos são ladeados ainda pelas ruas Christiano Pagani e Elias Murback. “Fizemos o projeto conforme a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) recomendou. (Os aparelhos públicos) fazem falta para o moradores. Os bancos nós já ganhamos. Agora, falta só a prefeitura”, reitera.
A espera poderia ter sido menor, caso o projeto inicial tivesse sido solicitado, no ano passado, à Semma. Na ocasião, a comunidade procurou um profissional da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) e pediu-lhe para elaborar a proposta a ser apresentada, informa o titular da Semma, Carlos Barbieri.
Depois de contatada, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente destacou uma equipe para fazer um estudo na área. Todas as propostas serão avaliadas e definidas pela comunidade no próximo dia 8, sábado. “É uma reunião com todos os moradores. Eles estão brigando entre eles. Temos que exercitar a democracia. Vence o projeto aprovado pela maioria”, diz Barbieri.
O desentendimento foi confirmado pela reportagem, em apenas 20 minutos de visita ao local. Tanto que, na mesma data da apresentação do projeto final, um grupo de moradores desvinculado das associações de moradores agendou uma atividade para cobrar a destinação final às áreas, informa o professor Alberto de Carvalho Pereira Sobrinho.
A obra que ele está concluindo é vizinha do imóvel de Kleysse Deienno, que também tornou-se delegada do Plano Diretor justamente para cobrar infra-estrutura à região. “Queremos que a prefeitura não só atenda nossos chamados, mas também fiscalize (as áreas que aguardam urbanização)”, comenta.
Mas com apenas quatro fiscais para vistoriar mais de 3,5 milhões de metros quadrados de áreas verdes e praças de Bauru, poucas vezes a Semma é capaz de flagrar irregularidades. Quando consegue, o acusado é notificado e pode arcar com multa cujo valor médio é de R$ 500,00.
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Projetos
A Associação de Moradores dos bairros Vila Engler, Jardim Auri-Verde e Jardim Contorno espera que a administração municipal garanta às duas áreas verdes água e luz, além de alambrado para cercar uma delas. A presidente da entidade, Terezinha dos Santos Oliveira, foi informada da existência de um projeto que visa transformar uma das áreas num bosque, como o da Comunidade, situado próximo à Maternidade Santa Isabel.
A proposta é desconhecida pelo titular da Semma, Carlos Barbieri. “Não adianta o povo acreditar que vamos investir lá porque a gente não tem de onde tirar dinheiro. O que vamos fazer é gramar, aproveitar os buracos para fazer uma rampinha para skate”, comenta.
Ele também colocará em discussão a instalação de uma trilha para que crianças e adolescentes possam andar de bicicleta. “A idéia é fazer o parquinho na parte de baixo (em frente ao residencial Jardim dos Duques). Do outro lado (em frente ao Camélias), vamos limpar, recuperar o calçamento, acertar o gradil das árvores, que a própria comunidade destroçou”, informa o secretário.
De acordo com Barbieri, as árvores que morreram também serão replantadas, assim como a grama. “Eu não tenho condição de cercá-la. Senão, teremos de colocar banheiro, fazer trilha, por vigilância e luz. Não temos dinheiro. É projeto de R$ 150 mil, R$ 200 mil”, conclui.