O Grupo Marca acertou ontem, em audiência realizada na Justiça do Trabalho de Bauru, a compra do prédio da estação ferroviária, no Centro, pelo empreendedor do grupo Pátio Brasil, Edmond Baracat, de Brasília (DF), pelo valor de R$ 6,2 milhões. Participaram da audiência representantes da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), do Sindicato dos Ferroviários e da Prefeitura de Bauru, além do promotor Luiz Henrique Rafael, representando o Ministério Público do Trabalho (MPT), que intermediou a negociação.
Na audiência de ontem, presidida pelo juiz da 1a Vara do Trabalho, Júlio César Marin do Carmo, ficou definido que o sindicato autoriza a RFFSA a repassar o imóvel ao Grupo Marca, que assume os débitos da Rede com os trabalhadores e acerta o pagamento diretamente com o Sindicato dos Ferroviários.
De acordo com o representante do Grupo Marca em São Paulo, Avelino Cortellini, ficou acordado o valor de R$ 6.275.262,00 pela aquisição do imóvel, incluindo terreno adjacente à estação. No dia 13 de julho próximo, o grupo pagará a primeira parcela ao Sindicato dos Ferroviários, no valor de R$ 1,5 milhão. O restante será pago em parcelas trimestrais de aproximadamente R$ 300 mil, até dezembro de 2009.
Segundo Cortellini, o imóvel foi adquirido para a instalação do projeto de um Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura no local. No mês passado, após reunião com o prefeito de Bauru, Tuga Angerami (sem partido), Baracat confirmou a aquisição do prédio e de uma área contígua de 17 mil metros quadrados, nas imediações da praça Machado de Mello, para a instalação de um shopping no local. “O empreendimento vai gerar, no mínimo, 2 mil novos empregos, sendo que 70% deste total será destinado ao primeiro emprego”, frisou Cortellini.
A intenção dos empreendedores é apresentar o projeto preliminar no aniversário da cidade, em 1 de agosto. Mas antes disso, os projetos técnicos serão encaminhados à prefeitura para serem analisados. “O juiz fez questão de frisar que é competência da Prefeitura analisar os projetos, até porque o imóvel é considerado patrimônio”, lembrou.
A expectativa é que os projetos sejam aprovados depois de 60 a 90 dias, ou seja, em outubro ou novembro as obras devem ter início, se tudo correr dentro do previsto. Como a escritura só deve ser repassada aos investidores em outubro, pois a RFFSA também pediu 60 dias para formalizar a transferência, a aprovação dos projetos pode coincidir com a entrega da escritura.
A previsão para inauguração do novo Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura está prevista para dezembro de 2008, mas o prazo pode ser antecipado. “Em princípio está marcado para o Natal de 2008, mas o Edmond Baracat quer antecipar a obra para o Dia das Mães de 2008”, salientou.
De acordo com Cortellini, o valor total do investimento é de R$ 80 milhões, sendo que os recursos estão garantidos pelo Banco Fibra, que faz parte do grupo de empreendedores Pátio Brasil.
O diretor do Banco, Eduardo Machado, afirmou que o investimento está “blindado”, ou seja, há garantias de que o empreendimento será realizado. “Um grande passo foi dado hoje, com o acordo entre a RFFSA, o Grupo Marca e o Sindicato dos Ferroviários. Agora nós vamos buscar mais parceiros para fazer parte deste projeto”, ressaltou.
Empecilho
Apesar do negócio ter sido concluído com sucesso entre investidores, ferroviários e RFFSA, resta apenas um porém para que o acordo passe a valer de forma definitiva. Segundo Avelino Cortellini, a Novoeste alugou um dos galpões para uma empresa de transportes, o que não poderia ter ocorrido, já que o pátio ferroviário e imóveis adjacentes foram transferidos para o Sindicato dos Ferroviários em homologação de ação trabalhista desde junho de 2003.
Na audiência de ontem, o juiz da 1a Vara do Trabalho, Júlio César Marin do Carmo, determinou que a RFFSA resolva o caso, já que, como não há contrato de locação com o proprietário do imóvel, a empresa está irregular no local. Para Cortellini, a situação é apenas mais uma pedra no caminho do Grupo Marca, que deverá ser superada. “A empresa terá que sair, porque ficou constatado pelo juiz que ela não tem titulação recorrente para se manter no imóvel, logo está irregular”, disse. Cortellini espera que a RFFSA cumpra a determinação do juiz de resolver a pendência o mais breve possível, para que não haja problemas na execução do projeto.