Economia & Negócios

Motos ganham preferência feminina

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Foi-se o tempo em que moto era coisa de homem. As mulheres estão cada vez mais pilotando esses veículos e comprando também. Nos últimos anos, o público feminino vem se tornando um promissor nicho de mercado para as concessionárias de motos.

Para atrair ainda mais as motoqueiras, as revendedoras têm investido maciçamente em acessórios diferenciados que, de fato, agradam as clientes. Os capacetes cor-de-rosa são os principais. Entretanto, o que mais tem incentivado as mulheres a andar sobre duas rodas é a economia que o veículo oferece na compra, no abastecimento e na manutenção, em comparação com um carro.

Em uma concessionária especializada em motos no Centro de Bauru, pelo menos 40 das 200 unidades vendidas ao mês são adquiridas por mulheres. Os modelos de maior saída são a Honda CG Titan 150 e a Honda Biz 125. O preço, em média, é em torno de R$ 6 mil.

“A mulher prefere esses modelos porque consegue manipular melhor, se sente mais à vontade, principalmente em razão do tamanho e do peso do veículo, que são menores. A maioria compra para trabalhar e pelo menos 90% delas levam zero quilômetro”, comenta Marcelo Estevam, gerente comercial da empresa.

Ontem à tarde, na concessionária, duas mulheres financiaram motos. A professora Cláudia Botura, 32 anos, levou uma Honda Titan 150, preta, no valor de R$ 6 mil. “Já tive moto uma vez, mas acabei vendendo. Agora, estou tendo a oportunidade de ter outra. Dá para sentir a diferença no bolso no final do mês. Ela é bem mais econômica em questão de combustível. Em comparação com o carro, a economia no final do mês é de mais de 50%”, ressalta a professora.

A estudante Mariana Peterson, 20 anos, escolhia ontem na loja uma Honda Titan 150. Ela pretendia dar como entrada sua Honda Biz e financiar o restante em 36 parcelas de R$ 250,00. “Prefiro moto porque a gente economiza muito com gasolina, sem falar, é claro, na praticidade que ela oferece”, diz.

Desde o começo deste mês, o vendedor Paulo Rios, da mesma concessionária, comercializou 23 motos. Desse total, 11 foram negociadas para o público feminino. “Nos últimos meses, a visita de mulheres aqui no estabelecimento procurando por motos tem aumentado muito. Nunca vendemos tanto para mulheres”, completa.

Na concessionária de Álvaro Antonelli Júnior, as motoristas também começam a engrossar a clientela. Entre 40 unidades vendidas por mês, cinco são compradas por mulheres. A preferência é pela Scooter, da marca Suzuki, que custa em torno de R$ 6 mil e não tem marcha.

A maioria das consumidoras, segundo Antonelli Júnior, tem entre 20 e 30 anos, e são mais exigentes que os homens.

“Elas pedem mais informações, pedem detalhes sobre a mecânica, enfim, exigem atenção especial. Em geral, vêm acompanhadas do marido, do namorado ou de algum parente. Porém, não aceitam palpites. A preferência da maioria é por cores quentes, como o amarelo, por exemplo”, conta o empresário.

O vendedor de motos Ricieri Marins confirma a tendência observada nas duas concessionárias da distribuidora onde trabalha. De acordo com ele, as vendas para mulheres correspondem a cerca de 30% do total de 90 unidades comercializadas por mês. “Elas preferem motos pequenas, do tipo Honda Biz e Twister, que custam entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. A clientela feminina tem sido fundamental em nosso faturamento mensal”, afirma Marins.

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Trânsito

A Polícia Militar (PM) de Bauru não tem dados estatísticos sobre o número de motociclistas femininas que existem na cidade. Também não dispõe de nenhum levantamento que revele o nível de imprudência entre elas e os homens.

Porém, mesmo sem um estudo aprofundado, o capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Companhia da PM em Bauru, acredita que as mulheres são mais prudentes no trânsito. Mesmo assim, ele alerta que os motociclistas também precisam ter cuidado com os furtos.

De janeiro a junho deste ano, a média de motos furtadas na área da 1.ª Companhia da PM em Bauru foi de duas ocorrências por mês. Capitão Jorge alerta que os motoristas precisam tomar alguns cuidados básicos para não correr o risco de perder o veículo. “É importante que a moto seja equipada com trava e alarme e estacionada, preferencialmente, em locais iluminados e movimentados, sempre ao alcance visual do dono”, completa.

O capitão diz que as motos furtadas, em geral, são levadas a desmanches para a separação de peças e posterior comercialização. Ainda de acordo com ele, os furtos ocorrem com o auxílio de chaves mixa, falsa, ligações diretas, entre outros meios ilícitos.

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