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Brasil é o 2º mais caro da Ámerica do Sul

Folhapress
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Rio de Janeiro - O Brasil convive com o paradoxo de ser o segundo país mais caro da América do Sul e, ao menos tempo, os brasileiros consumirem abaixo da média da região. Os preços registrados no País em 2005 estavam 14,2% acima da média entre dez países do continente, menores apenas do que no Chile - 17,7% superiores à média.

Já o consumo das famílias brasileiras per capita era 9,5% menor do que a média da região, o que coloca o País na sexta posição no ranking - em 1996, era o quarto colocado. Os países com maior consumo per capita são Argentina e Chile. O Brasil fica abaixo ainda de Uruguai, Venezuela e Peru.

Os dados são de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) financiada pelo Banco Mundial (Bird), com a participação dos institutos de estatística dos países, que mediu a Paridade de Poder de Compra (PPC), indicador do poder de compra de cada moeda. Ou seja, revela quanto um argentino paga por quilo de arroz em relação ao que gasta um brasileiro, por exemplo. A PPC é estimada com o objetivo de comparar o PIB dos diversos países sem o problema da variação do dólar em cada região.

Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, os preços no Brasil são elevados por causa da “herança inflacionária” do passado, já que foram estabilizados num nível alto quando o Brasil conseguiu controlar a inflação em meados da década de 90. “O controle da inflação não implicou queda dos preços. Implicou manutenção do ritmo de evolução dos preços. Ou seja: os preços se estabilizaram, mas num patamar elevado.”

Os preços mais altos também explicam o menor consumo do brasileiro, já que o elevado custo dificulta o acesso de parte da população a muitos produtos, segundo Nunes. “Quando se faz comparação de consumo, tem que se considerar o nível de preço. O Brasil é o segundo país mais caro. Isso o faz perder posição em relação ao outro país que tem preços menores, onde o acesso aos produtos é facilitado.”

Só artigos tidos como supérfluos custavam menos no Brasil: os grupos “álcool e fumo” e “restaurantes e hotéis” tinham preços 8% e 4,2%, respectivamente, mais baixos do que a média da América do Sul em 2005. Eram as duas únicas exceções: todos os demais grupos ficaram acima da média. O destaque ficou com habitação e serviços, cujos preços estavam 32,8% mais altos, sendo os maiores da região.

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