Cultura

Piscina da ‘Casa da Eny’ será preservada

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

A família Banuth, atual proprietária da área onde funcionou a Casa da Eny, garante que vai preservar parte do antigo bordel, como indicado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac). Em reunião realizada na última sexta-feira, os membros do conselho decidiram pelo não-tombamento da antiga chácara de Eny Cezarino, a cafetina mais famosa do Brasil. Em nota divulgada ontem, o Codepac pede a preservação da área de lazer do imóvel, que abrange piscinas, vestiários, pérgula e palco.

A reunião entre os conselheiros estava marcada para ontem à tarde, mas foi adiantada como manobra para evitar a presença dos meios de comunicação. “Pensamos que alguns membros poderiam se sentir inibidos e até mesmo pressionados com a presença da imprensa. Foi uma forma que encontramos de ter mais liberdade no momento da decisão”, esclareceu o presidente do Codepac, Henrique Perazzi de Aquino.

A decisão do Conselho foi tida como favorável para um dos donos do imóvel, o empresário Caio Marcos Banuth. Desde o início das negociações, Banuth era a favor do não-tombamento para construir no local um empreendimento residencial. “A palavra tombamento poderia prejudicar no momento da venda dos apartamentos. Acredito que o Conselho foi muito sensato em sua decisão”, coloca, em entrevista ao JC Cultura.

A planta do novo empreendimento, avaliado em mais de R$ 10 mi, deve passar pela aprovação da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) para que depois seja iniciada a construção. “Todos vão ganhar. Uma parte da história será preservada e, com o novo negócio, pretendemos gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos”, afirmou Banuth.

Sobre a preservação da área que abrange as piscinas, o proprietário deu sua palavra de que o acordo será mantido. “Vamos firmar um documento em cartório onde me comprometerei a preservar o local. Serão necessárias algumas reformas, como troca de azulejos e pisos, mas nada que comprometa a estrutura física do espaço”, diz.

Antes da demolição do imóvel, Banuth prometeu doar à Secretaria Municipal de Cultura o letreiro da fachada do antigo bordel, um arquivo com fotos detalhadas e as plantas do estabelecimento. “As fotos e as plantas ainda serão providenciadas e servirão como fontes de pesquisa para os interessados”.

O presidente do Codepac citou a intenção do proprietário de construir um memorial em homenagem à Eny, o que não foi confirmado por Banuth. “Ainda não conversamos sobre isso, mas podemos planejar algo”, aponta.

Aquino também pretende procurar os órgãos responsáveis para mudar o nome do trevo, que liga a rodovia Marechal Rondom (SP 300) à Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP 225), para Trevo da Eny. “Independente dos valores morais, Eny participou efetivamente da história de Bauru, e isso não pode ser apagado”, afirma.

Em princípio, a idéia do Codepac era pedir o tombamento total do prédio, mas após a visita realizada no local, no dia 9 de junho, os conselheiros concluíram que as instalações do antigo bordel estavam muito deterioradas. “A casa ficou fechada por mais de 20 anos e depois foi aberta para a prática de paintball o que danificou o imóvel. A única área passível de conservação é a da piscina”, coloca Aquino.

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