Brasília - A CPI dos Sanguessugas aprovou ontem a convocação e a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e bancário dos principais dirigentes da Planam, empresa apontada como a cabeça do esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras do País. No primeiro dia de votação da comissão, fortaleceu-se a tendência de que parlamentares e assessores suspeitos de envolvimento com o esquema não serão ouvidos.
O presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que pode haver apresentação, nas próximas semanas, de relatório preliminar, que possibilitaria aos acusados enviar por escrito suas defesas. “Ouvir 30 a 40 depoimentos é impossível, inviabilizará o nosso trabalho”, afirmou. A comissão começou a receber ontem os primeiros documentos sobre a fraude, revelada em maio por operação da Polícia Federal que resultou na prisão de mais de 40 pessoas.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) entregou, em um pacote lacrado, cópia das gravações feitas pela PF, além da contabilidade da Planam. Ele conseguiu a documentação com o Ministério Público Federal do Mato Grosso, que denunciou à Justiça 81 pessoas, entre dirigentes da Planam e assessores de políticos, por suposto envolvimento na fraude. Quinze parlamentares -que possuem foro privilegiado- já tiveram abertos contra eles inquéritos pela Procuradoria Geral da República.
O número deve subir para cerca de 45. Biscaia e o relator da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), foram ontem ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pedir acesso à investigação, que corre sob sigilo. Segundo os congressistas, Gilmar Mendes responderia hoje.