Internacional

Após incursão militar, governo nega intenção de reocupar a Faixa de Gaza

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - Após o início da operação “Chuva de Verão”, o premiê israelense, Ehud Olmert, negou a intenção de reocupar a Faixa de Gaza. A ofensiva foi a maior ação de Israel na região desde a retirada israelense de Gaza, ocorrida em setembro de 2005. “A ação militar que teve início durante a noite irá continuar nos próximos dias”, afirmou Olmert. “Nós não pretendemos reocupar Gaza. Nosso objetivo é apenas trazer o soldado para casa.”

No entanto, o premiê acrescentou que as forças israelenses “não hesitarão em tomar medidas extremas para trazer o soldado de volta para sua família”. A incursão militar teve início após dois dias de esforços frustrados de negociadores egípcios e franceses, que tentavam fazer a intermediação pela libertação de Gilad Shalit, 19 anos. O soldado foi seqüestrado em um posto militar de Israel localizado perto de Kerem Shalom, na região da fronteira com Gaza, em uma ação que matou outros dois soldados israelenses.

Ontem, Olmert reiterou que Israel não irá negociar com grupos extremistas pela libertação de Shalit. Anteontem, o porta-voz do grupo extremista Comitês de Resistência Popular (PRC, na sigla em inglês), Mohammed Abdel Al, pediu a libertação de mulheres e adolescentes das prisões israelenses em troca de informações sobre o soldado. Um total de 95 mulheres e 313 menores de 18 anos estão entre os 9 mil palestinos detidos em prisões de Israel.

O PRC foi um dos três grupos extremistas a reivindicar - ao lado do braço armado do Hamas e de um terceiro grupo conhecido como Exército Islâmico - o seqüestro.

Segundo Olmert, a liderança do grupo terrorista e partido político Hamas na Síria é responsável pela ação.

Tropas israelenses penetraram por um quilômetro do território do sul de Gaza, posicionando tanques e veículos blindados em áreas da cidade de Rafah, na fronteira com Gaza, inclusive o aeroporto internacional em Dahaniyeh, o único de Gaza. Além da incursão terrestre, forças aéreas israelenses atacaram pontes no centro de Gaza. Segundo fontes militares, o ataque pretendia impedir que extremistas transportem Shalit para diferentes pontos de Gaza.

Segundo o jornal israelense “Haaretz”, Shalit estaria sendo mantido em cativeiro no campo de refugiados de Khan Yunis, ao sul de Gaza. Seus seqüestradores podem considerar a possibilidade de movê-lo para outro local em Gaza, como o campo de refugiados de Jebalya. Anteontem, Abdel Al, porta-voz do PRC, afirmou que o soldado está sendo mantido “em um local seguro”.

O seqüestro foi a primeira ação palestina contra um soldado israelense em 12 anos. Em 1994, Nachshon Waxman, um soldado israelo-americano de 19 anos, foi seqüestrado por extremistas. Tropas israelenses invadiram seu cativeiro, mas ele morreu durante a operação, que também resultou na morte de um membro da equipe de resgate e de três seqüestradores.

Comentários

Comentários