Campinas - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, André Di Rissio, 42 anos, acusado de integrar uma quadrilha que atuava na liberação ilegal de mercadorias importadas no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (95 km de São Paulo).
Rissio foi detido pela manhã, no apartamento onde mora no bairro do Morumbi, em São Paulo. A operação foi batizada como 14 Bis. Na mesma operação, outra equipe da PF prendeu o delegado Wilson Ordones, da Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista em Viracopos. Ele foi detido em casa, em um condomínio em Vinhedo (79 km de São Paulo).
No ato da prisão, Ordones passou mal e foi levado ao pronto-socorro da Santa Casa da cidade. Ao todo, foram presas 16 pessoas, incluindo os dois delegados. Entre os presos estão empresários, despachantes aduaneiros e “laranjas” do esquema. O processo corre sob sigilo. Os nomes das empresas envolvidas não foram divulgados. Além da PF, integraram a operação o Ministério Público Federal e a Receita Federal.
De acordo com a PF, os policiais civis “atuavam como intermediários, cobrando propina dos empresários para contatar e corromper os servidores da Receita Federal”.
Na investigação, que durou cerca de um ano, a PF constatou que empresários e despachantes reduziam os valores de mercadorias importadas de Miami (EUA) ou as classificavam incorretamente, com a finalidade de sonegar impostos. A polícia não soube estimar o prejuízo do golpe aos cofres públicos, mas divulgou, por meio de nota oficial, que o montante é de “milhões de reais”.
Os acusados foram indiciados pelos crimes de corrupção passiva e ativa, facilitação ao descaminho (contrabando), tráfico de influência, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
A Associação dos Delegados informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se manifestaria ontem. Também não soube informar se Rissio e Ordones já tinham advogado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que “a Corregedoria da Polícia Civil está recebendo a documentação referente ao inquérito da Polícia Federal, que resultou na prisão de dois delegados de polícia, para instaurar os processos administrativos”.