Gaza - Israel prosseguiu pelo terceiro dia seguido com sua ofensiva na Faixa de Gaza em resposta ao seqüestro de um soldado por radicais palestinos e atingiu dois transformadores de energia no norte da região, além de efetuar uma série de prisões de integrantes do Hamas na Cisjordânia, incluindo oito ministros. O Exército israelense, no entanto, decidiu adiar um plano de invadir o norte de Gaza. Israel prendeu 64 membros do Hamas, entre eles oito integrantes do gabinete liderado pelo braço político da organização terrorista (que tem a maioria no Parlamento palestino) e 23 deputados filiados ao grupo. O governo israelense informou que os detidos serão processados por envolvimento em “atos terroristas”.
A ação ocorrida nas primeiras horas de anteontem (no horário local) já vinha sendo planejada há semanas, segundo Israel. “Terminou o baile de máscaras. Os ternos e gravatas não servem mais para encobrir o envolvimento e o apoio a seqüestros e ao terror”, disse Amir Peretz, o ministro da Defesa de Israel. “Ninguém está imune. Isso não é um governo, é uma organização criminosa”, afirmou Benjamin Ben Eliezer, ministro da Infra-Estrutura.
Mushir al Masri, parlamentar e integrante do alto escalão do Hamas declarou que “esse é um plano para destruir a Autoridade (Nacional Palestina), o governo e o Parlamento para deixar o povo palestino de joelhos”. Ele acrescentou que o grupo nunca irá reconhecer Israel, condição que estava sendo negociada internamente pelos palestinos para negociações de paz com os israelenses. Questionado se os membros do Hamas seriam soltos caso o soldado fosse libertado, o chefe do comando central do Exército de Israel respondeu positivamente, apesar de o governo ter negado que as prisões seriam usadas como moeda de troca.
Ataques
Forças militares israelenses atacaram ontem o Ministério do Interior na cidade de Gaza e escritórios do Fatah, o partido do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Outra ofensiva destruiu dois transformadores de energia no norte da Faixa de Gaza, deixando a área às escuras e ferindo levemente dois funcionários da segurança. A ação deixou o prédio do ministério em chamas e foi seguida quase imediatamente pela investida contra os gabinetes do Fatah. Ninguém ficou ferido nos dois ataques.
Em Rafah (sul de Gaza), um garoto de 15 anos está internado após ser ferido sem gravidade em uma explosão. Nas cidades israelenses de Negev e Sderot, foram disparados ontem, a partir da Faixa de Gaza, seis foguetes de fabricação caseira. Não houve feridos, mas duas pessoas ficaram em estado de choque. Desde o início da ofensiva israelense, não houve registro de mortos ou feridos graves durante ataques ou confrontos.
A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, e os ministros das Relações Exteriores do G8 (os sete países mais ricos e a Rússia) divulgaram uma nota conjunta em que expressaram “preocupação” com a prisão dos membros do Hamas. O grupo exortou Israel e suas forças militares a demonstrarem “moderação” na Faixa de Gaza.
Embora diga publicamente que os israelenses têm o direito de se defender, Washington vem advertindo contra “excessos” na ofensiva militar. Integrantes da administração Bush afirmaram às agências de notícias que, mesmo sem atingir civis, os ataques podem aumentar o apoio público ao Hamas. Já a ONU alertou para uma crise humanitária na Faixa de Gaza devido à falta de energia e de combustível em razão dos ataques. Cerca de 1,4 milhão de pessoas estão sem luz na área.
Abbas pediu a intervenção das Nações Unidas para conseguir a libertação do soldado Gilad Shalit, 19 anos, que estava sendo mantido refém por três organizações radicais. Não há notícias sobre o militar, e um dos grupos envolvidos no seqüestro limitou-se a dizer que Shalit está “em lugar seguro”.
O governo egípcio pediu para que Israel desse mais tempo para as negociações na tentativa de libertar Shalit. O adiamento da invasão militar do norte de Gaza estaria relacionado ao pedido do Egito.
O sobrevôo anteontem do palácio de verão do ditador da Síria, Bashar Assad, por jatos israelenses também serviu para unir os países árabes na condenação do que classificaram como um ato de intimidação.
Milhares de pessoas compareceram ontem ao funeral do colono judeu Eliyahu Pinchas Asheri, 18 anos, morto por extremistas palestinos após ser seqüestrado no domingo. Forças de segurança israelenses confirmaram ontem a morte de Asheri, anunciada em um comunicado do grupo Comitês de Resistência Popular, que afirmava ter matado o colono.