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Se reeleito, Lula quer fim de reeleição

Por Fábio Zanini | Folhapress
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Brasília - Em reunião ontem com seu mais fiel aliado, o PC do B, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fim da reeleição e o aumento do mandato para cinco anos, indicando que as duas medidas constariam de proposta de reforma política que teria seu apoio em 2007.

“O mandato de cinco anos, sem reeleição é mais justo”, disse Lula aos aliados comunistas, segundo relato de presentes ao encontro. O PC do B pediu a reunião para comunicar a Lula que, apesar das ameaças das últimas semanas, vai coligar-se ao petista pela quinta vez. À tarde, a convenção do partido ratificou a aliança.

“Pela defesa que ele fez do mandato de cinco anos sem reeleição, acredito que isso vai constar da proposta de reforma política. O presidente disse que a reforma é a primeira, a mais importante de seu segundo governo”, disse o presidente do PC do B, Renato Rabelo.

Em outro momento, o presidente disse que defenderá, já a partir do próximo ano, a instituição da fidelidade partidária. Caso contrário, segundo ele, a relação entre Executivo e Legislativo continuará “uma coisa muito complicada, difícil”.

O PT foi contra a reeleição quando aprovada pelos tucanos em 1997, mas logo se adaptou à regra. Mesmo depois de eleito, Lula declarou várias vezes que era pessoalmente contra a reeleição, mas disputa novo mandato. Agora acena com a revogação da emenda, mas apenas após ter se beneficiado dela.

Segundo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, o PT age “de acordo com as regras do jogo”. “Depois da eleição, pode haver um acordo entre situação e oposição para discutirmos fim da reeleição e o tempo do mandato”, disse recentemente.

O PSDB, que tem excesso de caciques querendo uma chance de ocupar a cadeira de presidente, também já admite acabar com a regra que criou. Ontem, o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), disse que a iniciativa de Lula em falar do fim da reeleição agora é “oportunismo”.

“Ele quer tirar proveito eleitoral disso, teve três anos de mandato e não falou nisso. É mais uma mentira, é oportunismo.” Na convenção de ontem, o PC do B pediu mudanças na política econômica, com redução dos juros, novas regras para o câmbio, menor superávit primário e mais gastos sociais. O presidente mandou uma carta em que agradece o apoio dos comunistas na “tarefa de impedir que nosso povo sofra com uma volta ao passado”.

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