Bairros

Álcool líquido responde por 35% das queimaduras no HE

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Que brincar com fogo é perigoso, todo mundo sabe desde criança. Mas a negligência deixa vítimas, ainda mais quando o álcool líquido está presente. Ontem, estavam internados na unidade de tratamento de queimaduras do Hospital Estadual (HE) de Bauru 11 pacientes. Destes, quatro foram acidentados por uso incorreto do álcool líquido, ou seja, 35%. A médica coordenadora da unidade, Cristiane Rocha, afirma que o problema se agrava no inverno devido às fogueiras, uso de fogões a lenha e queima de lixo.

Médicos e entidades de todo o País lançaram uma campanha pedindo que a Justiça volte a proibir a venda do álcool líquido. Em 2002, a comercialização do produto foi proibida, mas uma liminar do Tribunal Regional Federal de Brasília foi favorável à indústria do álcool e permitiu a liberação novamente, seis meses depois.

Rocha é favorável à proibição da venda do álcool líquido. Ela argumenta que as crianças são as principais vítimas, cerca de 40% dos casos. “Geralmente, a criança imita a ação que viu os adultos fazerem. Quando o pai acende a churrasqueira, por exemplo, a criança pode imitá-lo jogando o álcool”, exemplifica.

Um dos pacientes internados no hospital, uma criança, aproveitou a distração do pai que estava usando álcool e fogo para consertar um objeto. Ela acabou se queimando gravemente. Um adolescente que está internado na mesma unidade acidentou-se ao tentar acender uma fogueira. Teve as pernas e um dos braços atingidos pelo fogo e acabou com queimaduras de 2.º grau.

Segundo Rocha, o álcool gel pode substituir o em líquido, oferecendo risco menor. “Desde que trabalho no hospital, nunca ouvi falar de pacientes que foram queimados usando álcool em gel”, conta. O gel misturado ao álcool ajuda a “apagar” o fogo, diminuindo as chances de acidentes. “Já no caso do álcool líquido, até mesmo o vapor dele já tem propagação fácil”, explica.

As feridas das queimaduras em que o álcool está envolvido são, geralmente, graves. “Derrubar água fervendo causa queimadura menor do que as com álcool. O principal problema é que como o álcool é inflamável, a parte do corpo atingida pega fogo”, afirma. As conseqüências são, no mínimo, cicatrizes estéticas. Nos casos mais graves, o membro atingido fica com limitações de função, quando a musculatura é comprometida.

Além disso, o tratamento da queimadura é demorado. Geralmente, uma ou mais cirurgias para enxerto de carne são necessárias se a queimadura for de 3.º grau. Neste caso, a recuperação do paciente ocorre em aproximadamente três ou quatro meses.

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