DÁ-LHE, BRASIL
Carlos Alberto Parreira afirmou, em uma entrevista coletiva, que o Brasil precisa de um salto de qualidade para ganhar e aproveitar a chance da revanche da maior derrota de uma geração. Se não conseguir, estará consumada a fama de freguês, o que não combina com um time cinco vezes campeão do mundo. Lembramos que somente os franceses eliminaram os brasileiros duas vezes em mata-matas: foi nas semifinais do Mundial do México/86 e na final da França/98. Brasil e França estarão frente a frente esta tarde - à noite, em Frankfurt -, em busca de vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 2006. Nossa chance de revanche é hoje e vai dar. A Seleção Brasileira vai bem apesar das críticas. Já les bleus, se classificaram aos trancos e barrancos. Até entendo o torcedor brasileiro, louco por futebol e sempre muito exigente. Eu não sou torcedor, sou jornalista. Se afirmo que nossa equipe nacional está correspondendo é porque fez quatro jogos até aqui e ganhou os quatro; marcou dez gols e sofreu um. Concordo que Roberto Carlos e Adriano não estão bem, enquanto Émerson nunca entusiasmou a galera. E até acho que com Gilberto Silva e Robinho o desempenho do Escrete Canarinho pode ser maior ainda. Mas vamos respeitar os critérios de Parreira para escalar o time. Afinal, o treinador vem conduzindo a Seleção com acerto. Se o Brasil jogar o que sabe, ganhará da França até com relativa facilidade.
ALEMANHA X ITÁLIA
Emoção à flor da pele num jogo agitado, mas sem técnica. A Alemanha passou pela temível Argentina e vai pegar a Itália nas semifinais. Foi um jogo tenso. O clima ruim começou logo nos primeiros cinco minutos, com entradas duras, um cartão amarelo para o alemão Podolski, muita discussão entre os jogadores e três faltas cometidas por cada time. As duas equipes foram se acalmando, mas a partida continuou muito truncada e sem grandes chances de gol. A propósito, ninguém merecia vencer. Ninguém brilhou no tempo normal e na prorrogação. As duas equipes se respeitaram muito e o resultado acabou sendo justo. De olho na telinha, a redação do JC acompanhou atentamente o jogo em Berlim. Exceto Ricardo Santana, todo o mundo torceu para a Alemanha. Na outra partida de ontem, das quartas-de-final, a Itália fez a festa em Hamburgo, ao conquistar contra a Ucrânia, uma vitória mais tranquila do que se esperava. Após classificação dramática nas oitavas, ao eliminar a Austrália com um gol de pênalti inexistente nos acréscimos, a Azzurra chega encorpada para pegar os donos da casa no meio da próxima semana.
PALPITE TRIPLO
Se fosse na Loteca eu cravaria palpite triplo para o jogo entre Inglaterra e Portugal. Tudo pode acontecer hoje em Gelsenkirchen, desde que não pinte uma grande goleada.
COMERCIAL
Começa a ser veiculado hoje, nos intervalos do Jornal Nacional e da novela Belíssima, ambos da TV Globo, o comercial da Nike em homenagem a Ronaldo, maior artilheiro da história dos Mundiais, com 15 gols.
VAZOU
Vítor Hugo vinha fazendo ótimo trabalho no Gama. O técnico não dirige mais o clube brasiliense por causa dos salários atrasados e otras cositas mas. Ninguém vive de brisa. Ou: Quem trabalha de graça é relógio. Já o Luisão Zona Sul costuma dizer que de graça, nem o galo canta.
MEMÓRIA
Copa do Mundo do México/86: Brasil 1 x 1 França, em Guadalajara, no tempo mormal, gols de Careca e Platini. Nos pênaltis, os franceses venceram por 4 a 3, eliminaram os brasileiros e avançaram para as semifinais. O jogo foi num sábado e pelas quartas-de-final, a exemplo do Mundial deste ano na Alemanha. Árbitro: Ioan Igna (Romênia). Público: 63 mil torcedores. Brasil: Carlos; Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Elzo, Júnior (Silas), Alemão e Sócrates; Careca e Muller (Zico). Técnico: Telê Santana. França: Bats; Amoros, Tusseau, Battiston e Bossis; Fernandez, Tigana, Giresse (Ferreri) e Platini; Rocheteau (Bellone) e Stopyra. Técnico: Henri Michel.
AQUELE ABRAÇO
Um forte abraço ao amigo Edson, o Coutinho, irmão do técnico Valter Ferreira. E por falar no treinador bauruense, estivemos em sua casa, quinta à noite, para um suculento churrasco. Também marcaram presença os ex-jogadores Lincoln e João Carlos Travain, técnico Paulo Comelli e seu assistente André Chita, Zelão, Neno e o festejado massagista e cantor Jeová Rodrigues. Da turminha, não puderam comparecer Luís Carlos Martins, que está no Vila Nova goiano e Osvaldo Alvarez, o Vadão. Foi uma noitada e tanto na casa do novo técnico do Volta Redonda.
FRUSTRAÇÃO
Depois da eliminação contra a Alemanha, alguns torcedores, entrevistados no centro de Buenos Aires, disseram: “A taça para todos, menos para o Brasil”. É a dor de cotovelo, porque Brasil é penta e disputou mais duas finais, enquanto a sina dos argentinos é perder.