Presidente Prudente - A descoberta de uma serra e cinco porções de maconha na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes (589 quilômetros a oeste de São Paulo) coloca em xeque a segurança e o rigor da prisão, considerada modelo pelo governo paulista.
Os objetos foram encontrados na madrugada de ontem, após sete horas de vistoria por agentes penitenciários, escoltados pela tropa de choque da Polícia Militar (PM). A blitz ocorreu após um tumulto - o terceiro registrado desde a inauguração da penitenciária, em abril de 2002. Durante a confusão, anteontem, presos destruíram instalações da penitenciária. É a primeira vez, no entanto, que há apreensão de droga e serra no local.
Segundo a assessoria da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), a serra tinha cerca de 7 centímetros e a maconha, que não teve a quantidade revelada, estava escondida no colchão de uma das celas.
Os nomes dos presos que estavam com os materiais encontrados não foram revelados. A SAP não se pronunciou sobre a falha na segurança, mas informou que vai apurar o episódio.
Destruição
Durante o tumulto de anteontem, os presos quebraram 25 vidros de janelas, quatro pias, três vasos sanitários acoplados ao chão, 12 guichês por onde são entregues as refeições e 50 grades de ventilação instaladas na parte superior das portas de aço.
A SAP não informou quais objetos foram usados pelos detentos para cometer os atos. Por causa da destruição, a direção da unidade proibiu visitas por dez dias. Canetas, calçados, espelhos e lâminas de barbear foram retirados das celas.
Na penitenciária vigora o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), considerado o mais rígido do País. A unidade abriga líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe máximo da facção criminosa.
O tumulto na tarde de anteontem começou quando promotores chegaram à unidade para ouvir Marcola sobre a morte do bombeiro João Alberto da Costa, uma das vítimas dos ataques de maio em São Paulo. Após ser retirado da cela, os demais presos da ala de Marcola começaram a bater nas portas de aço, quebrar vidros e gritar, ameaçando os agentes.
Os presos interromperam o tumulto duas horas depois, após os promotores deixarem o presídio sem ouvir Marcola, por causa da ausência de seus advogados. Por volta das 21h30, a tropa de choque da PM entrou no presídio para uma vistoria.