Cultura

Keane volta mais melancólico em novo CD

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Projetado ao mundo em 2004, com o álbum “Hopes and Fears” o trio britânico Keane continua com o formato voz-piano-bateria em seu novo disco, “Under the Iron Sea” (Universal Music), mas acrescenta doses (menores) de rock ligeiro e (maiores) de melancolia e obscuridade. Em entrevistas à imprensa inglesa, os músicos disseram que a composição do disco foi uma forma de lidar com o sucesso inesperado do primeiro álbum e de encarar artisticamente seu lado obscuro.

“Tentamos enfrentar todos os nossos piores medos, de nos sujeitar ao escrutínio sem piedade, nossa relação um ao outro, nossas relações com outras pessoas e com o mundo em geral, e de fazer uma viagem para os lugares mais obscuros que podíamos encontrar”, afirma o grupo no seu site. “Precisávamos de um álbum que nos fizesse sentir vivos outra vez (no meio de uma turnê mundial de 18 meses)”, completam.

As novas canções são baladas guiadas pelo piano e pela grande voz de Tom Chaplin, em sua maioria, e destoam do clima mais light de “Hopes and Fears”. Exceto pelo primeiro single, “Is It Any Wonder”, que remete à sonoridade de “The Bends” do Radiohead e critica o apoio da Inglaterra à Guerra do Iraque, é difícil encontrar possíveis hits fáceis como “Somewhere Only We Know” e “Everybody’s Changing”. Assim, o trio soa ainda menos “pop fácil” do que o primeiro disco e apresenta uma coletânea de canções a serem descobertas com o tempo.

“Under the Iron Sea” chegou às lojas inglesas há três semanas e vem liderando as vendas do Reino Unido desde então. Nos Estados Unidos, o disco estreou na 25.ª posição e chegou, nos últimos dias, ao quarto lugar na parada de álbuns da Billboard.

Além de Tom Chaplin (vocais), o Keane é Tim Rice-Oxley (piano) e Richard Hughes (bateria), juntos desde 1997. Freqüentemente comparados ao Coldplay, especialmente pela alta dose de teclados atmosféricos e a urgência na voz de seu vocalista, os músicos parecem ter ido buscar referências diferentes para quebrar o padrão de igualdade e aprofundar os conceitos de sua música. Há muito da eletrônica ambient e das baladas de bandas inglesas dos anos 60.

Enquanto “Atlantic”, que abre o CD, é um profundo mergulho no solo do piano e na atmosfera sombria que vai permear canções a seguir, “Nothing in My Way” tem uma ligeira alegria confortável. “Crystal Ball” é um dos trunfos do disco, que não é uma obra-prima do rock inglês mas termina como honesto. Mesmo não sendo um CD fácil à primeira audição, não cai no problema de “disco de arte” e pode render mais fãs à banda.

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