La Paz - Desde 2003 atravessando uma turbulenta transição política, a Bolívia vai às urnas hoje para decidir dois temas que expõem a sua cada vez mais dramática divisão política e étnico-racial: a eleição da Assembléia Constituinte e um referendo sobre a autonomia dos departamentos.
A Assembléia Constituinte, demanda antiga do movimento indígena do altiplano andino, é a aposta do governo Evo Morales para continuar sua agenda de “refundação” do país, iniciada com nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio.
Já o referendo sobre se os departamentos devem ter maior autonomia administrativa é o resultado de uma mobilização liderada pela elite do departamento agroindustrial de Santa Cruz (leste), o mais rico do país, para depender menos de La Paz - proposta antiga, mas reforçada pelo rechaço à agenda do governo socialista.
Apoiado em sua popularidade em torno de 80%, Morales tem defendido o “não” no referendo com duros ataques à elite cruzenha, a quem acusa de “vende-pátrias” e de corrupta. Na Assembléia, o objetivo do seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), é assegurar dois terços das vagas, meta dificultada pelas regras eleitorais.
Oposição
A oposição a Morales, capitaneada pela agremiação Podemos (Poder Democrático e Social), do ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, e por seis dos nove governadores, tenta assegurar a vitória do “sim” nas regiões sob sua influência. Na campanha da Constituinte, Quiroga tem combatido propostas do MAS como a retirada do catolicismo como a religião oficial e a inclusão do quéchua e do aimará como línguas oficiais - hoje, é apenas o espanhol.
Além dessas divergências, governo e oposição também discordam sobre como o resultado final deve ser visto. Para o MAS, o resultado tem de ser levado em conta em nível nacional; a oposição defende que o resultado é por departamento -se o “sim” ganhar hoje em Santa Cruz haverá mais autonomia, sem depender dos demais resultados.