Buenos Aires - Anteontem, quando na Argentina só se falava do jogo decisivo com a Alemanha na Copa do Mundo, a Casa Rosada enviou ao Congresso um projeto para dar ao Executivo ampla liberdade para aplicar o Orçamento oficial, sob duras críticas da oposição.
Não foi a primeira proposta polêmica enviada pelo governo Néstor Kirchner desde que começaram os jogos. Com a saída da Argentina no Mundial, ontem, os opositores faziam as contas das medidas “oportunistas”: o próprio Kirchner aumentou seu salário no período.
De 6 mil pesos passará a receber cerca de 9.500, sem contar um acréscimo no “complemento por responsabilidade do cargo”, que também subiu para ministros. Deputados e senadores aumentaram seus vencimentos em 19%.
A autorização saiu quando a Argentina goleava Sérvia e Montenegro por 6 a 0. Pela “lei dos superpoderes”, enviada ontem, o chefe-de-gabinete de Kirchner poderá dispor de todo o caixa federal - só terá de manter o valor total, que deve ser aprovado no Congresso. O recurso já havia sido incluído nas leis do Orçamento de 2004 e 2005, mas, criticado pela oposição, foi retirado.
Com o projeto enviado, que deve ser votado logo no Senado de maioria kichnerista, o governo quer tornar permanentes as liberdades. Ontem também foi dia de ataques do ex-ministro da Economia de Kirchner, Roberto Lavagna, seu oponente na campanha presidencial de 2007. “Não elegeria como esposa uma mulher como Cristina. Cada qual elege o que lhe convém”, disse Lavagna sobre a primeira-dama e senadora, cotada para disputar a eleição.