Economia & Negócios

‘Instabilidade política emperra crescimento industrial’

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

A instabilidade política vivida por Bauru há várias administrações e a falta de assistência do setor industrial refletem os baixos investimentos externos aplicados na cidade. A análise é do economista Adriano Fabri, professor titular na Instituição Toledo de Ensino (ITE), para quem os casos de corrupção que escandalizaram a política interna de Bauru desgastaram a imagem do município e fragilizaram a credibilidade que o sustentou até a década de 80, principalmente no setor econômico.

“Há 20 anos, a vida política do município vem sendo marcada por escândalos de corrupção, inclusive com cassação de prefeito. Toda essa turbulência política acaba inibindo investimentos. Se o investidor tiver a possibilidade de ir para uma cidade onde o cenário político é estável, com um governo que apóia a economia e o setor empresarial, oferecendo condições de desenvolvimento para a indústria, ele não vai se arriscar em um município que não sabe se o prefeito de hoje será o mesmo amanhã”, completa o economista.

Fabri ressalta que Bauru já começou a perder empresas para outras cidades, inclusive de porte menor, como é o caso de Pederneiras, que fica a 26 quilômetros do município. A cidade levou a melhor em todas as propostas que disputou com Bauru. Atualmente, concentra um parque industrial bastante diversificado.

Além da instabilidade política, o economista ressalta, a exemplo de Jair Manfrinato, diretor-adjunto do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que o município é carente de política públicas para o setor industrial.

“Por tudo isso, as cidades vizinhas, com porte e estrutura muito menores, acabam atraindo indústrias que poderiam ser instaladas aqui. Bauru precisa cultivar a cultura de que o que alavanca o crescimento de um município são as indústrias”, analisa.

Em vista disso, Fabri diz acreditar que o desenvolvimento industrial em Bauru está submetido à falta de vontade política e a um jogo de interesses de uma pequena parte da sociedade local.

“Imagino que muitas pessoas têm receio do desenvolvimento industrial em Bauru. Elas imaginam que novas indústrias elevariam o poder aquisitivo na cidade e, dessa forma, o comércio perderia os melhores funcionários para esse segmento. Mas é um pensamento muito restrito, porque indústria gera riquezas, poder de compra”, destaca o economista.

Fabri também afirma que falta a Bauru um marketing de suas potencialidades. Para ele, a imagem do município deveria ser melhor explorada no Estado e no País, o que poderia atrair investidores. Evidenciar a localização geográfica da cidade e todo o cenário logístico - rodovias, a hidrovia e o aeroporto - do qual dispõe seria um importante cartão de visitas para o município.

“Nem o próprio bauruense conhece as características e as potencialidades da cidade. A auto-estima do bauruense é muito baixa”, conclui Fabri.

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