A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Bauru deve começar em agosto a implantar pequenos núcleos industriais, denominados minidistritos, em alguns bairros do município.
O objetivo do projeto, segundo o titular da pasta, Wallace Sampaio, é incentivar o desenvolvimento de micros e pequenas empresas que ainda não têm condições de conquistar espaço nos distritos industriais.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, Sampaio comenta detalhes sobre a nova proposta e fala sobre a situação atual do parque industrial de Bauru. Leia os principais trechos a seguir.
Jornal da Cidade - Qual é a prioridade da pasta com o desenvolvimento industrial de Bauru?
Wallace Sampaio - Apoio às indústrias locais, com cessão de áreas em distritos industriais. Este é o enfoque prioritário que temos dado às empresas em fase de expansão.
JC - Esse apoio se limita à doação de terrenos ou também existe contribuição com infra-estrutura?
Sampaio - Cedemos a área nos distritos industriais, onde há infra-estrutura necessária. Pode não ter 100%, mas estamos solucionando os problemas existentes e a infra-estrutura mínima está disponível.
JC - O que compreende essa infra-estrutura mínima?
Sampaio - Todos os terrenos estão arruados, porém nem todas as ruas estão asfaltadas. Na medida do possível, estamos completando isso. Os distritos têm energia elétrica e água. Rede de esgoto existe nos distritos 2 e no 3 estamos concluindo uma estação elevatória. Temos deficiência de galerias no Distrito 2, mas no 3 está completo.
JC - Existem planos para a criação de um quarto Distrito Industrial?
Sampaio - Por enquanto não. Incluímos no Plano Diretor a busca de área desse quarto distrito, que prioritariamente vamos tentar através dos governos estadual e federal, que são os grandes proprietários de área no município. Hoje, Bauru não dispõe de espaço para isso. A cidade, para implantar um novo distrito, teria de desapropriar uma área, e o valor é muito elevado.
JC - E uma possível reforma fiscal para atrair investidores está na pauta do secretário?
Sampaio - Para ser sincero, não. Em novas áreas, podemos isentar de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) por até dez anos, o que vem sendo feito nas novas áreas de distrito, que são aquelas que não foram gravadas por IPTU ainda. Existe uma lei que é aplicada de acordo com o número de empregos que o empreendimento gera, isentamos do IPTU até dez anos. O outro imposto que o município tem é o ISS (Imposto Sobre Serviços). Mas não podemos dar incentivo sobre ele porque Bauru já pratica a alíquota mínima, que é de 2%.
JC - Hoje, qual o projeto da pasta para atrair novas indústrias para Bauru?
Sampaio - O projeto novo, que vamos começar a implantar agora no segundo semestre e que já foi aprovado no Plano Diretor, é a implantação de minidistritos. São áreas menores que um distrito industrial, integradas dentro da área urbana e próximas das grandes concentrações de moradores. Essa proposta é voltada a micros e pequenos empresários de Bauru, ou seja, àquelas empresas que estão precisando dar um passo além, mas que ainda não podem chegar ao distrito industrial. Já temos dois minidistritos para serem iniciados no segundo semestre. Um será implantado no Jardim Pagani e o outro no Jardim Guadalajara.
JC - Bauru tem recebido propostas para receber indústrias?
Sampaio - Não. Temos contatos, mas propostas encaminhadas para a gente não. Primeiro, em razão do cenário que temos, no qual a indústria não passa por um período favorável para pensar em expansão de unidades. Isso em termos de economia do País. Não é uma fase de larga expansão da economia, em que as empresas estão expandido os seus próprios negócios. Em segundo lugar, todos os investimentos industriais no Estado de São Paulo estão voltados para o eixo da (rodovia) Castello Branco, na região de Sorocaba.