Cultura

Ao Pé da Letra


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QUANDO EU VOLTAR DE POESIA

Caído ao lado da garrafa de café. Respingos de velhice do sopé ao auge de sua montanha; do seu gráfico óptico Ao seu tráfico, sempre presente cômico.

Não tem mais riso inventado. A voz do cego cantador, da voz da música

à vos, ouvidor! Oh, diretor, leu só. Foi sério Porque Só leu. E só: lê-se um terço, E só! Seja o só, sendo a sós.

Berço, berço, berço, onde é que se volta e se dorme de novo e se mata de rir?

Quem sabe voltar a cumprir? Quem sabe comprar um ventilador Sem reclamar do discutir? E pedir um favor, “por favor, um desconto, que seja, Um aumento, um encontro”.

Se for “self”, se ferre, que berre, amanheça de dor. Só pra que sintam sabor De boca estúpida aberta Arrotando seu roto roupão De um arroto-refrão:

“a democracia é fashion”.

Límerson Morales

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LEMBRANÇAS NO AR

Neuza, se acaso eu partir um dia Deixarei a minha alegria E suas lágrimas irei levar Que a lágrima de uma paixão Que te amo do fundo do meu coração E aonde eu estiver irei sempre te amar

Deixarei você e os filhos Alex, Alexandre e João Paulo Que são os meus filhinhos Que amo com tanto carinho Que são os frutos do nosso amor Se acaso você chorar De onde eu estiver irei imitar

Com certeza a mesma dor Que é a dor de uma saudade De quem tanto amo de verdade? Essa pessoa, Neuza, que é você

É igual a um jardim quando se perde uma flor Sofre a mesma dor

Quem ama sabe compreender Se acaso você for primeiro A fronha de meu travesseiro De lágrimas irei molhar Por você não estar mais ao meu lado A ficar apenas o passado E uma lembrança no ar

Faustino Fernandes Ranieri

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LEMBRANDO VOCÊ

Da janela fico a ver a chuva mansa que cai Recordo um tempo, que já muito distante vai Quando nós sem medo, nos amamos tanto Com muito ardor, com doces sonhos e muito encanto

Vimos o tempo este inclemente, caminhante da vida Nos afastar, em uma partida tão triste e dolorida Deixando uma lacuna, que jamais será preenchida Por mais que nossa estrada da vida seja florida

Sempre no fundo do coração triste e sofredor Ficara um resquício de saudade e de muita dor Deste amor tão sonhado, querido e perdido Que jamais em nossas vida um dia será esquecido

Recordaremos, tudo de bom que entre nós existiu Nada lembrara o triste dia em que você chorando partiu Pois teremos sempre na nossa lembrança o calor A ternura que existiu e... o nosso imenso amor.

Ary Bueno

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MÃE

Mãe! Por que partiste? Deixando apenas o botão da lembrança à florir... Ainda poço sentir o calor de suas mãos acariciando-me... Ainda poço vê-la ao meu lado, quantas noites, quantos dias, lá estava você, firme como um granito à beira mar diante da mais tenra dificuldade. Ainda ecoa em mim, a doçura de suas palavras de alento. Ainda tenho na face, a seda de seus lábios, rosados, desejando-me boa noite... Ainda poço vê-la à beira do fogão a cantarolar... Ainda poço ver seus olhos negros, cheios de candura. Ainda sinto a doçura do abraço amigo e ouço a canção de seu coração... Cresci! Como sua forma me fez falta! Queria ainda, Ver a porta se abrindo e na penumbra surgindo... Vê-la em seu manto florido, sorrindo...

Rui Miguel Trípoli

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FESTA JUNINA

Quantos caipira encontrei ontem a noite, todos vestidos. Achei bonito, fiquei feliz em saber que o caipira gosta de ser, além de alegre um pouco atrevido. Roda a fogueira, gira a parceira, canta e dança a quadrilha. Na hora da comida que é bom, antes de qualquer belisco, ele toma um aperitivo, molha o bico e cai na dança outra vez. A dama fica olhando, apreciando o cavalheiro de chapéu. A batata doce já assou, O quentão já esquentou, O rojão de vara, aceso subiu, pro alto buscando o céu.

Adilson Motta

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VIOLÊNCIA

A violência que gera violência não é essa pela mídia explicitada, não é essa vislumbrada com freqüência, mas aquela muitas vezes ocultada sob um manto opressor, eclipsada, provocada por quem vive na opulência.

Poucos esclarecem a situação

(muitos disso aí fazem questão), não é bom que se saiba os porquês, porque isso prejudica quem a fez ou deixou de fazer o que é devido, pondo em risco a vida do indivíduo.

E nesta terra relegada a seus destinos, onde há muito bom discurso e falsidade, já não mais se pode ter a liberdade justamente porque os atos libertinos dos Senhores que apropriam a má vontade são aceitos com a maior facilidade.

Lamentável o nosso ato obrigatório de acionarmos um alarme ou cadeado, vergonhoso pra quem foi bem educado, mas prudente ante o estado atentatório.

O pior é ser refém nessa parada E sentir que não se pode fazer nada: A justiça, “quase cega”, é demorada; O governo usa mal o que arrecada; quem é rico se preocupa com a moda E a maioria, como está, não se incomoda com toda a ignorância divulgada. Desse jeito, viva a vida bem trancada!

Dirson Di Angelo Andrade

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