Neste quintal brincou Pelé. Nesta piscina nadou Mauro Rasi. Estas inscrições poderiam constar em algumas casas de Bauru que já serviram de residência para personalidades conhecidas no Brasil e no mundo.
A única que se encontra em processo de tombamento é a do escritor e dramaturgo, morto em 2003 e enterrado na cidade do Rio de Janeiro. A família Rasi, alegando motivos pessoais, é contra a transformação do imóvel em patrimônio cultural da cidade.
“Não tem sentido, o Mauro saiu muito novo de Bauru, a carreira dele foi desenvolvida toda fora daqui”, argumenta Ubirajara Baptista Filho, cunhado do dramaturgo.
A casa de Pelé, que também ficou famoso apenas após deixar a cidade, já passou por situação parecida com o sobrado dos Rasi. Baptista Filho espera que as semelhanças também se repitam no desfecho do caso, já que a casa do Rei do Futebol acabou não sendo tombada. Hoje em dia, onde viveu o “atleta do século” funciona uma pensão para solteiros.
Para Terezinha Zanlochi, professora da história da Universidade do Sagrado Coração (USC), é preciso uma avaliação profunda do papel desempenhado pelo cidadão ilustre na história da cidade. “Muitas vezes, esse tipo de tombamento pode representar muito mais uma ação de marketing do que um esforço para preservação da memória coletiva da cidade”, afirma.