O Ministério da Saúde reforça que, embora muitas das parteiras apresentem baixo ou nenhum nível de escolaridade, elas revelam outras aptidões adquiridas com a prática, com a observação e com os ensinamentos transmitidos ao longo de gerações. Essas mulheres costumam se reunir e trocar experiências. As mais velhas procuram passar o que consideram importante às novatas.
Moradora de Jaboatão dos Guararapes (PE), Maria do Carmo dos Santos, conhecida como Dona Chica, de 53 anos, trabalha há 28 como parteira. “Com apenas um toque eu consigo saber se o bebê está em uma posição difícil para sair ou se o parto acontecerá tranqüilamente”, revela. Sua filha, Regiane Maria da Silva, de 37 anos, também resolveu seguir o caminho da mãe. “Eu sempre quis aprender como fazer o parto. Desde cedo eu via minha mãe trabalhando e ficava curiosa. Sentia muita vontade de ajudar as mulheres da minha região”, lembra Regiane.
Nas capacitações promovidas pelo Ministério da Saúde, as parteiras relatam como desenvolvem seu trabalho, falam sobre as dificuldades que enfrentam e trocam conhecimentos com os profissionais de saúde.
Nessas ocasiões, são orientadas, por exemplo, a reconhecer as situações de risco na gestação e no parto, para realizarem encaminhamentos aos serviços de saúde. Além disso, recebem informações sobre como esterilizar a tesoura utilizada para cortar o cordão umbilical e sobre a importância de lavar as mãos e usar luvas.
“Quando vejo que o bebê não quer sair, sei que não tenho mais como ajudar. Nessa hora, o melhor é procurar um atendimento médico”, conta Dona Chica, que também estimula as gestantes de sua comunidade a buscar o pré-natal.
Para Isa Paula Abreu, técnica do Programa Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, as autoridades podem contribuir para proporcionar melhores condições para que as parteiras exerçam sua atividade. “O trabalho dessas mulheres não é fácil. Para atender à comunidade, elas viajam longas distâncias, em qualquer hora do dia ou da noite, a pé ou de barco. Também têm de atuar em condições de higiene precárias e em certos lugares onde nem mesmo há água ou energia elétrica”, afirma Abreu.