Muitos homens gostam de contar vantagem de que emagrecem mais rápido que as mulheres, não têm celulite ou estrias. Pelo menos no último quesito, as mulheres podem se sentir vingadas: homens têm, sim, estrias. É bem verdade que em proporção bem menor do que elas, mas o descuido com o peso, musculação feita incorretamente e crescimento rápido na adolescência causam as lesões, que são permanentes.
Segundo a dermatologista Denise Steiner, presidente da Comissão de Ensino da (SBD) Sociedade Brasileira de Dermatologia, a musculação leva às estrias quando é feita de forma exagerada, principalmente associada ao uso de anabolizantes ou aminoácidos. Outros esportes, como vôlei ou natação, não trazem esse problema.
O mais comum, no entanto, é que o fato de engordar - que estica a pele - faça aparecer estrias. Quando há o efeito sanfona (engordar e emagrecer com freqüência), pior ainda. Não é à toa, diz a dermatologista Meire Parada, que nesses homens as lesões sejam mais comuns na barriga, nas mamas e nas costas.
Alguns medicamentos, afirma Parada, como os corticóides, tanto tomados via oral quanto injetáveis, são causadores de estrias. “Geralmente elas são mais largas e maiores do que as causadas pelo crescimento ou pela obesidade’’, afirma a médica.
As lesões que aparecem na fase do crescimento na puberdade talvez sejam as mais inevitáveis. Elas, geralmente, deixam marcas nas costas. Denise Steiner conta, no entanto, que o uso de hidratantes - em qualquer causa - pode amenizar problemas.
Segundo Steiner, a predisposição genética tem muita influência no aparecimento de estrias. Portanto, é bom prestar bastante atenção se seus parentes têm estrias e, em caso positivo, redobrar os cuidados. Quando há predisposição, é difícil evitar que elas apareçam.
O dermatologista Beni Grinblat alerta que o importante é sempre ter em mente que é melhor fazer de tudo para não causar o estiramento da pele, como manter o peso sob controle, pois as estrias são irreversíveis. Há vários tratamentos disponíveis atualmente, mas, na melhor das hipóteses, eles podem amenizar as lesões, não acabar com elas.
De acordo com Grinblat, os métodos disponíveis vão desde esfoliações quanto à utilização de laser. Ao procurar algum tratamento para se livrar das lesões, isso deve ser feito da forma mais rápida possível, quando elas ainda estão com coloração rosa claro. Nesta fase, elas podem ser bastante amenizadas dependendo do método.
As mais antigas - que ficam com coloração branca - também podem ficar menos evidentes, mas continuarão perceptíveis. O médico chama atenção, ainda, para o fato de cada organismo reagir de um modo diferente aos tratamentos. E derruba a teoria de que usar óleos, como os de amêndoa, e tomar sol, vão disfarçar as lesões. “A pele queima, mas as estrias não. Isso as deixará ainda mais visíveis’’, conta.
*Eduardo Vallim