O tempo que passamos dormindo corresponde a um terço de todo nossa vida até o presente momento. De tal maneira, é constrangedor e lamentável que passemos todo esse tempo deitados, em berço esplêndido, ao invés de nos movermos, agirmos e, da maneira mais humana, assumirmos iniciativas a que somos submetidos diariamente. Apesar de nossa vida clamar por sonhos também.
Eu, por exemplo, em meus sonhos, pratico ações em lugares parecidíssimos com os da vida real. Isso porque muitos dos nossos sonhos são reflexos do dia-a-dia de forma deformada. Muitas vezes, uma própria “surrealização do eu”.
Se nossos sonhos são em parte espelhos, serão os pesadelos o mesmo que eles? Talvez. Já tive pesadelo de ser perseguida por cães, por homens do mais alto grau de periculosidade, por armas e afins. Nada muito diferente, também, dos nossos dias atuais em que, ao sair de casa, quando o mundo abre-se indiferente, vêm a nós os milhões de terrores comuns, transformados em pessoais. Contorcendo-se na cama por alguns minutos, de aflição e desespero em meio a um pesadelo, estamos muitas vezes enfrentando a mesma realidade, deformando-a de outra maneira. E mais, aquela que acaba quando os olhos se abrem.
Parece ser a nossa vida bem mais fácil no mundo onírico. Não lamentemos então pelo nosso período de sono, que nos faz perder um terço da vida. Talvez devêssemos viver esse um terço e dormir dois. Assim, não teríamos que enfrentar de mãos completamente vazias, a realidade medonha e apavorante teimosamente infindável, nem com os mais abertos dos olhos. (Clarissa Marquezepi Picolo - aluna da 3.ª série do Ensino Médio - RG 44.924.366-7)