Em política, a esquerda e a direita jamais se entendem. No futebol não é diferente. Nas Eliminatórias da Copa de 70, o treinador do Brasil era João Saldanha, militante de esquerda, ao passo que o presidente do Brasil era o general Emílio Médice, de extrema direita.
Se por um lado o governo Médice tenha sido considerado um dos mais arbitrários e repressivos (censura à imprensa, criação do serviço de investigação do DOI CODI, promulgação do antidemocrático Ato Institucional n.º 5 etc), por outro lado seus correligionários costumam citar a Transamazônica e outras obras de vulto como parte do então “Milagre Brasileiro”.
João Saldanha não tinha papas na língua e nem o costume de “deixar a escalação para a última hora”, como fazem Parreira, Passarella, Luxemburgo e outros.
Quando escolhido como técnico do esquadrão canarinho, ele de imediato declarou à imprensa seu time titular.
Consta, no histórico das Copas, que Médice queria que o centro-avante Dario - o Dadá Maravilha - fosse convocado, interferindo diretamente na lista preparada por Saldanha, fato que fez o grande jornalista se insurgir:
- Se eu não dou palpites na escalação do Ministério, como vou aceitar que o presidente venha dar palpite na escalação do meu time?
Não deu outra! Saldanha foi substituído pelo então “jovem” Zagallo, ex-ponta esquerda do Flamengo e da Seleção Campeã do Mundo de 58. E Dario viajou de graça para o México, mas só curtiu o banco de reserva. (Enviada por Rui Bertoti)