Recentemente o JC publicou em sua primeira página notícia sobre o atropelamento e morte de um veado catingueiro e de um tamanduá em rodovias da região, acidentes estes que podem ser contabilizados como freqüentes também com outras espécies de animais silvestres. Muito embora notícias como esta possam parecer bizarras e sem importância dentro do quadro presente das violências que conturbam a sociedade e amedrontam os cidadãos, elas devem ser consideradas e levadas a sério, tendo em vista o que evidenciam, os desdobramentos e implicações que poderão advir no futuro aos nossos descendentes. Para estes fatos cabe a pergunta do por que estes animais estão sendo atropelados quando atravessam as rodovias, cada vez mais modernizadas? A resposta é óbvia: porque eles não têm mais espaços onde ficar, seus hábitats estão rareando, sendo obrigados a percorrer e cruzar grandes espaços de culturas e invernadas à procura de alimentos e esconderijos.
Se os proprietários rurais observassem realmente a lei que determina que áreas equivalentes a 20% das matas nativas deveriam ser mantidas e se, realmente, estas permanecessem intocáveis, o quadro seria outro. Porém, o descumprimento da lei, fato que não constitui novidade em nosso país, mais a falta de uma política nacional para a ocupação racional do solo trarão problemas no futuro, com o desaparecimento das variadas espécies de animais silvestres provocando desequilíbrios ambientais e ecológicos que penalizarão o próprio homem. Causa tristeza quando atravessamos certas regiões e vemos que de belíssimas fazendas do passado restam casas abandonadas e outros vestígios de construções e que principalmente a cana vem cobrindo quase que totalmente o solo agriculturável. Muitos poderão dizer que esta situação é conseqüência do progresso e da irreversível urbanização, mas é vital que o nosso Estado e País não se transformem em imensos canaviais, como já está acontecendo.
Devemos considerar a importância das aves e animais silvestres para equilíbrios na mãe natureza e precisamos nos preocupar, principalmente, com o futuro daqueles que virão, pois nem tudo poderá ser revertido. O problema da conservação é tão importante que está engatinhando uma política do Ministério do Meio Ambiente de se pagar para os proprietários rurais pela manutenção de florestas, cerrados e pampas, pois lucrarão muito mais do que se explorassem essas áreas. O suplemento Meio Ambiente do jornal O Estado, publicado a 5 de Junho, na matéria “Planeta em transe”, trouxe alguns dados impressionantes e que devem servir de alerta. Dentre os muitos citados destaco os seguintes: de que 50 milhões de pessoas serão refugiadas em 2010 devido a desastres naturais; 40% da mata amazônica sumirá até 2050; de 10% a 30% dos mamíferos, aves e anfíbios correm risco de extinção e, finalmente, de que “a ação dependerá da população, que se torna cada vez mais fragilizada com a saúde em declínio no planeta”.Este é, pois, fundamentalmente, um problema de educação! (O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor)