Cultura

Nelly Furtado leva novo CD ao topo das paradas

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

A canadense de ascendência portuguesa Nelly Furtado não é mais aquela que cantava “I’m Like a Bird” – ou pelo menos quer que você pense isso. Seu novo disco, “Loose” (Universal), chegou ao topo da parada norte-americana com um repertório que evoca seu passado adolescente, segundo seu material de divulgação, e rende-se 95% ao hip hop. Há pouco de seus bons primeiros discos, que reuniam influências de música portuguesa, do folk canadense e até do Brasil – Nelly é fã de Caetano Veloso.

O CD é turbinado pela grife de Timbaland, produtor de Missy Elliot, Justin Timberlake e do premiado “Love Angel Music Baby” de Gwen Stefany. “Promiscuous” é a faixa responsável pelo sucesso do disco nos Estados Unidos e tenta vender Nelly como nova diva-gostosa no estilo Christina Aguilera, Beyoncé e a própria Stefany. A música, no entanto, não passa de uma batida reciclada – até 80’s demais - de todos os artistas que transitam entre o rap e o rhythm and blues, coisa que todo mundo já ouviu dezenas de vezes por aí.

Esse tom reciclado é que domina todo o disco, de um R&B mais adocicado, como “Showtime”, ao clima da guitarra de “Afraid” e o hip hop quase melódico de “Maneater”, na qual ela canta “Eu quero ver todos vocês de joelhos, de joelhos”. Ainda não, Nelly.

Há um novo dueto com o colombiano Juanes, o rap latino “Te Busqué”, mas “Fotografia”, a primeira parceria da dupla, mais próxima do coquetel pop que os dois faziam há alguns anos, era mais saborosa. O reggaeton “No Hay Igual” dá ritmo dissonante entre as batidas americanas demais nas faixas mais dançantes e ganha destaque apenas por ser diferente.

Em entrevista à revista “Blender”, quando perguntada por que abandonou o posto de “anti-Britney e clones” e virou sua música, no terceiro disco, às batidas sexy do hip hop (e também sua imagem), a cantora explica que fez “Loose” em Miami e se sentiu “realmente sexy por lá”. “Quando eu cheguei ao mercado, estava realmente intimidada por todas essas garotas que tinham participado do ‘Clube do Mickey’ (Britney e Aguilera). Agora estou me atualizando, aceitando meu trabalho. Meu coreógrafo ensinou como me mover de formas diferentes e estou de bem com meu corpo”, respondeu.

Apesar das boas vendas, a mudança de ares de Nelly lhe rendeu a perda da participação de Chris Martin, vocalista do Coldplay, em “Loose”. Eles chegaram a gravar “All Good Things” juntos – a faixa é co-autoria de Furtado e Martin -, mas a assessoria do cantor vetou a faixa para não associá-los diretamente. O disco tem boas faixas, mas a cantora também periga passar somente com o sucesso único de “Promiscuous”.

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